m12 2018
CIDADE DE DEUS
A conquista do território
São Paulo, Sábado, 21 de Abril de 2018
igreja em celulasvisão celulas
Estudo Biblíco
22/07/2010
Homilética

Apresentação 

Se a igreja cristã quiser manter um testemunho ativo nesta geração, e se os crentes em Cristo desejarem crescer e tornar-se cristãos maduros e eficientes, então é da maior importância que os pastores, mestres e outros líderes providenciem para o seu povo o “leite sincero da Palavra” mediante mensagens centralizadas na Bíblia e dela derivadas. 
 
Prefácio
 
            No que tange à construção de sermões gostaria de recomendar uma Bíblia onde os versículos estejam dispostos em parágrafos: uma Bíblia, cujos capítulos estão divididos em tópicos, uma concordância completa e um bom dicionário bíblico.
 
            Devo afirmar, e fazê-lo enfaticamente, que o fator mais importante no preparo de sermões é a preparação do coração do próprio pregador. Quantidade alguma de conhecimento, aprendizagem ou talentos naturais pode substituir o coração fervoroso, humilde, e consagrado, que anseia cada vez mais por Cristo. Somente uma pessoa que anda com Deus e leva uma vida santa pode inspirar outros a crescerem na graça e no conhecimento de Cristo. Tal pessoa passará muito tempo em secreto com Jesus, tendo comunhão diária, ininterrupta e prolongada com Ele e Sua Palavra.
 
            O pregador também deve ser uma pessoa de oração, que sobre os joelhos, aprendeu a arte do combate santo. Como Daniel, ele deve ter o hábito de orar e encontrar o tempo, ou melhor, tirar o tempo para orar diária e regularmente em particular. Seus sermões não serão, pois, produto de um mero esforço intelectual, mas mensagens enviadas dos céus em resposta à oração. E. M. Bounds, poderoso homem de oração, disse, em verdade: “A oração coloca o sermão do pregador no coração do pregador; a oração coloca o coração do pregador no sermão do pregador.
 
            Além disso, a pessoa que deseja pregar a mensagem do Livro deve, também, ser uma pessoa do Livro. Tem de estudar as Escrituras não apenas a fim de tirar uma mensagem para sua congregação, mas há de viver no Livro. A Palavra de Deus deve tornar-se sua comida e bebida. Enquanto viver, é necessário passar muitas horas todas as semanas em estudo diligente da Bíblia. Deve saturar-se da Palavra de Deus até que ela lhe domine o coração e a alma, ao ponto de, com Jeremias, poder dizer: “Isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer, e não posso mais” (Jr. 20:9).
 
            Que o Senhor nos conceda, nestes dias de necessidades sem precedentes, homens e mulheres de Deus que amem a Jesus Cristo acima de tudo e preguem a Sua Palavra de tal forma que possam atrair e ganhar outros para ele.
            “O profeta que tem sonho conte-o como apenas sonho; mas aquele em quem está a minha Palavra, fale a minha Palavra com verdade. Que tem a palha com o trigo? Diz o Senhor, e martelo que esmiúça a penha?” (Jr. 23:28-29).
 
            Desejo também ressaltar que os métodos de preparação de sermões apresentados nesta apostila não são, de modo nenhum, as únicas formas aceitas. Outros meios existem, mediante os quais se pode comunicar as verdades. De acordo com o objetivo que o pregador tenha em mente ao preparar a mensagem, deve ele determinar para si mesmo a maneira mais eficaz de comunicar a verdade bíblica. Qualquer que seja o método escolhido, deve tornar sua mensagem clara e simples, de modo que todos compreendam o que Deus tem a dizer por meio do mensageiro. Acontecendo isso, ele estará seguindo o nobre exemplo dos levitas nos dias de Esdras e de Neemias, que “leram no Livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia” (Ne. 8:8)
 
A estrutura homilética
 
 
Homilética é a ciência que estuda a técnica e a arte de elaborar e proclamar sermões. 
 
A Estrutura homilética de um sermão possui o seguinte esquema:  
  • Título
  • Texto
  • Introdução
  • Proposição
  • Sentença Interrogativa
  • Sentença de Transição 
 
Tipos de sermões
 
Há 4 tipos de sermões: temático ou tópico, textual, expositivo e biográfico. O sermão é diferente da homilia ou da preleção exegética.  
  1. Sermão temático ou tópico
  2. Sermão textual
  3. Sermão expositivo
  4. Sermão biográfico 
 A homilética é a exposição seqüencial da passagem, versículo por versículo, apresentando-se apenas a idéia exegética que cada versículo contém. É um comentário sobre uma passagem bíblica, curta ou longa, explicada e aplicada versículo por versículo, ou frase por frase. A homilia não possue estrutura homilética. 
 
A preleção exegética é um comentário detalhado de um texto, com ou sem ordem lógica ou aplicação prática. A exegese interpreta o significado oculto da passagem, mas a exposição apresenta ao público esse significado. 
 
O título, a introdução, as divisões e a conclusão
 
O Título 
 
            O pregador não deve se preocupar com o título no início do preparo de seu sermão, pois geralmente o título, assim como a introdução, é um dos últimos itens a ser preparado. 
 
Características do título 
 
 1. O título deve ser interessante e atraente a fim de despertar a atenção dos ouvintes. Para ser interessante ele deve relacionar-se as situações específicas e às necessidades das pessoas que ouvem o sermão. 
2. O título deve ter relação com o tema do sermão ou com o texto bíblico. 
3. O título deve ser decente e digno. Devem ser evitados títulos rudes que ofendem e causam apatia. 
4. O título deve ser preferencialmente breve. 
5. O título pode ser uma citação breve de um texto bíblico. 
 
 
A Introdução 
 
A introdução, também chamado de exórdio , deve também ser elaborado por último, como acontece com o título. Deve ficar claro que a introdução não é o mesmo que as preliminares que os pregadores costumam proclamar. As preliminares consistem de observações gerais que não se relacionam com o sermão. Geralmente é uma apresentação do pregador ou um testemunho para que este seja conhecido do povo. 
A introdução é o processo pelo qual o pregador procura conduzir a mente e o coração dos ouvintes para o tema de sua mensagem. Na introdução o pregador procura prender a atenção dos ouvintes acerca do tema que pretende proclamar. 
 
Características da Introdução 
 
1. Deve despertar o interesse dos ouvintes. 
2. Deve ser breve. 
 
 
As Divisões Principais 
 
            A Divisões são o corpo do sermão. São as verdades espirituais divididas em partes seqüenciais, distintas, mas interligadas à verdade principal que é a proposição. 
 
Características das Divisões Principais 
 
1. Devem ter unidade de pensamento. 
2. Elas ajudam o pregador a lembrar-se dos pontos principais do sermão. 
3. Elas ajudam os ouvintes a recordarem-se dos aspectos principais do sermão. 
4. Elas devem ser distintas umas das outras. 
5. Elas devem originar-se da proposição e desenvolvê-la progressivamente até o clímax do sermão. 
6. Elas devem ser uniformes e simétricas. 
7. Cada divisão deve ter apenas uma idéia ou ensino. 
8. O número das divisões deve, sempre que puder, ser o menor possível. 
 
 
A Conclusão
 
A conclusão é o clímax do sermão. Na conclusão o pregador deve chegar ao seu alvo que é atingir seus ouvintes e conduzi-los a praticarem e aplicarem em suas vidas a mensagem que ouviram. É a sessão do sermão onde tudo o que foi dito anteriormente é reafirmado com mais intensidade e vigor, a fim da Palavra de Deus produzir maior impacto nos ouvintes. 
 
Características da Conclusão 
 
1. A conclusão não é apenas um anexo da mensagem, é parte dela. 
2. Na conclusão não deve ser apresentada novas idéias, mas apenas ser enfatizado as já expostas anteriormente. 
3. A conclusão é a parte mais poderosa do sermão, porque une todas as verdades ensinadas em uma verdade única. 
4. A conclusão deve ser breve. 
5. A conclusão pode ser uma recapitulação das idéias expostas nas divisões principais. 
6. A conclusão pode ser uma ilustração. 
7. A conclusão poder ser a aplicação da mensagem aos aspectos práticos da vida. 
8. A conclusão pode ser um apelo. 
 
 
Proposição Ou Tema 
 
Proposição é uma declaração positiva do assunto a ser proclamado. É a afirmação de uma verdade bíblica, eterna que tem aplicação universal. 
 
A proposição também é chamada de "tese", "tema", "idéia homilética". 
 
Deve-se atentar para o fato de que assunto e tema não são a mesma coisa. O Assunto é algo mais genérico, enquanto que o tema é mais específico. Um assunto, por exemplo, poderia ser a "Esperança" , e vários temas poderiam ser derivados deste assunto: "A Esperança do Crente", "A Esperança do Mundo", etc... 
Uma proposição, para ser completa deve possuir um "sujeito" e um "complemento" . Para descobrir o sujeito e o complemento da passagem bíblica, convém aplicar as interrogativas "quem", "o que", "por que", "como", "quando" e "onde". 
 
O texto de Gálatas 3:13 nos servirá de exemplo: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro". 
 
Fazendo a pergunta "sobre o que fala este texto?", descobriremos o sujeito da sentença, ou seja, "a maldição da lei" . O complemento é tudo aquilo que a passagem relata acerca da maldição da lei, isto é, que ela foi realizada quando Cristo a tomou sobre si, sendo pendurado no madeiro. Uma vez tendo descoberto o sujeito e o complemento podemos formular a idéia exegética do texto: "Nossa redenção da maldição da lei foi realizada por Cristo, o qual recebeu a maldição por nós". 
 
A proposição deve preferencialmente estar na afirmativa. A frase "Devemos honrar a Cristo obedecendo aos seus mandamentos" é melhor do que "Não devemos desonrar a Cristo desobedecendo aos seus mandamentos". 
 
A proposição difere da idéia exegética. A idéia exegética é a afirmativa de uma única sentença; é a verdade principal da passagem, enquanto que a proposição é a verdade espiritual ou princípio eterno, transmitido por toda a passagem. 
 
Tomemos como exemplo a passagem de Marcos 16:1-4: "1 Ora, passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. 2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro muito cedo, ao levantar do sol. 3 E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? 4 Mas, levantando os olhos, notaram que a pedra, que era muito grande, já estava revolvida."  
A idéia exegética desta passagem é: "...as mulheres, a caminho do túmulo para ungir a Jesus, preocupavam-se com um problema grande demais para elas, porém já resolvido antes de elas terem de enfrentá-lo" . Esta idéia exegética nos leva à seguinte tese: "Deus é maior do que qualquer problema que tenhamos de enfrentar". 
 
Note que a idéia exegética é uma verdade fundamental da sentença, mas a tese extraída da idéia exegética é uma verdade eterna e universal, aplicável a tudo e a todos. 
 
A proposição deve ser formulada no tempo presente; não deve incluir referências geográficas ou históricas; não deve fazer uso de nomes próprios, exceto os nomes divinos. Uma tese com alguma dessas características ficaria muito embaraçosa: "Assim como o Senhor chamou a Abrão de Ur dos Caldeus para ir para uma terra que desconhecia, da mesma forma Ele chama alguns de nós para irmos pregar aos estrangeiros".  
 
A Sentença Interrogativa e Sentença de Transição 
 
A proposição deve ser ligada ao sermão através de uma pergunta, e esta por sua vez através de uma sentença de transição. 
 
Para ligar a proposição ao sermão, usa-se qualquer um dos cinco advérbios interrogativos: "por que", "como", "o que", "quando" e "onde" . Vejamos alguns exemplos: Na proposição "A Vida Cristã é uma Vida Vitoriosa" podemos incluir a seguinte interrogativa: "Quais são os motivos que nos levam a considerar que a Vida Cristã é uma Vida Vitoriosa?" (ou Como se faz da Vida Cristã uma Vida Vitoriosa?) Este tema poderia nos levar a uma resposta baseada em Romanos: "Por que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus" ou "Por que em todas essas coisas somos mais do que vencedores". 
 
A sentença de transição faz a transição entre a interrogativa e o corpo do sermão. A transição para a interrogativa acima, por exemplo, poderia ser: "Vejamos cinco motivos pelos quais podemos afirmar que a Vida Cristã é uma Vida Vitoriosa". 
 
A palavra motivo é a palavra-chave da transição, pois toda transição deve possuir uma palavra-chave que caracterize os pontos principais do sermão. Vários são os motivos que classificam a vida cristã como sendo uma vida vitoriosa, e em cada divisão do sermão deve expressar claramente esses motivos. 
 
As sentenças de transição que ligam as divisões do sermão devem repetir a palavra-chave. Por exemplo: "Vejamos qual é o primeiro motivo pelo qual devemos afirmar que a vida cristã é uma Vida Vitoriosa". A estrutura homilética seria a seguinte: 
 
Proposição: A vida cristã é uma vida vitoriosa
Interrogativa: Quais são os motivos que nos levam a considerar que a vida cristã é uma vida  vitoriosa?       
                                
Transição: O texto nos apresenta cinco motivos pelo qual devemos afirmar que a vida cristã é uma vida vitoriosa. vejamos o primeiro motivo:
 
1. Primeira divisão: Por que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus...
2. Segunda divisão: “Por que em todas essas coisas somos mais do que vencedores”.
 
 
Lista de Palavras Chaves
 
Alvos, argumentos, aspectos, atitudes, causas, efeitos, evidências, fatores, fatos, fontes, lições, manifestações, marcas, meios, métodos, motivos, necessidades, objetivos, ocasiões, passos, provas, verdades, virtudes, etc... (note que as palavras-chaves estão no plural). 
 
 
EXISTES OUTROS TIPOS DE SERMÃOS, MAS ESTES SÃO OS PRINCIPAIS E OS MAIS CONHECIDOS E APLICADOS. VAMOS ESTUDAR CADA UM DESTES. 
  1. Sermão temático  
  2. Sermão textual 
  3. Sermão expositivo 
  4. Sermão biográfico  
Primeiro vamos a um breve comentário de cada um deles.
 
 
SERMÃO TEMÁTICO
 
É aquele cujas divisões principais derivam do tema, e não diretamente do texto bíblico. Isso não quer dizer que o tema não seja bíblico, mas sim que o sermão gira em torno do tema e não de uma passagem específica. Porém para que o sermão temático seja bíblico, o tema deve ser extraído da Bíblia. 
 
Um tema, por exemplo, poderia ser a fé evangélica. O sermão, então não se basearia em apenas um texto bíblico, mas em diversos versículos da Bíblia, pois a palavra fé se prolifera por toda a Escritura. O sermão baseado neste tema poderia expor a fé dos patriarcas, a fé dos mártires, a fé dos apóstolos, e assim por diante. 
  
 
SERMÃO TEXTUAL 
 
O sermão textual é aquele cujas divisões principais derivam de um texto bíblico, constituído de uma porção mais ou menos breve das Escrituras. O tema é extraído do próprio texto, e por isso o esboço das divisões deve manter-se estritamente dentro dos limites do texto. 
 
Características do Sermão Textual 
 
1. Deve girar em torno de uma única idéia principal da passagem, e as divisões principais devem desenvolver essa idéia. 
2. As divisões podem consistir em verdades sugeridas pelo texto. 
3. As divisões devem, preferencialmente e quando possível, vir em seqüência lógica e cronológica. 
4. As próprias palavras do texto podem formar as divisões principais do sermão, desde que elas se refiram à idéia principal. 
 
 
SERMÃO EXPOSITIVO 
 
É aquele cujas divisões principais se derivam do texto, e consistem em idéias progressivas que giram em torno de uma idéia principal. O sermão expositivo, assim como o sermão temático e o textual, gira em torno de um tema, mas na mensagem expositiva o tema é extraído de vários versículos em vez de um único. Por isso mesmo os vários versículos de uma passagem que dão origem ao tema único do sermão deve ser uma unidade expositiva . O sermão expositivo se baseia em uma porção extensa das Escrituras. Pode ser alguns versículos ou um capítulo inteiro, até mesmo um livro. 
 
Diferença Entre Sermão Expositivo E Textual 
 
No sermão textual as divisões principais oriundas do texto são usadas como uma linha de sugestão, isto é, indicam a tendência do pensamento a ser seguido no sermão, permitindo ao pregador extrair as subdivisões ou idéias de qualquer parte das Escrituras. Já no sermão expositivo o pregador é forçado a extrair todas as subdivisões e, é claro, as divisões principais, da própria passagem que pretende explicar ou expor. 
O sermão expositivo não é uma homilia bíblica ou uma preleção exegética.  
 
 
O SERMÃO BIOGRÁFICO 
 
É um tipo específico de sermão que tem por objetivo expor a vida de algum personagem bíblico como modelo de fé e exemplo de comportamento.  
 
 
CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES DO SERMÃO
 
 
1. Discussão 
A discussão é o desenvolvimento das idéias contidas nas divisões do sermão. A fonte principal para a discussão deve ser a Bíblia, mas não é errado o pregador recorrer a outras fontes, desde que sejam confiáveis. Essas fontes podem ser citações de revistas ou jornais, poesias, letras de hinos ou provérbios da sapiência popular. Fontes históricas também são de grande valia para a discussão, conforme a natureza do sermão. 
 
2. Ilustração 
É o processo de explicar algo desconhecido pelo conhecido. É a exposição de um exemplo que torna claro os ensinamentos do sermão. 
A ilustração pode ser uma parábola, uma alegoria, um testemunho ou uma história (ou uma estória). Deve ser enfatizado que a ilustração não é a parte mais importante do sermão, mas sim a explanação do texto. A parte mais importante é a interpretação do texto, pois o alvo do sermão é torná-lo conhecido do público, e a ilustração se presta a essa tarefa. 
 
3. Aplicação 
A aplicação é o processo mediante o qual o pregador aplica a verdade espiritual do sermão à vida dos seus ouvintes, a fim de persuadi-los a uma reação favorável à mensagem. Em outras palavras a aplicação é e persuasão das palavras do pregador; é a palavra dirigida ao coração . Na pregação o pregador fala a mente das pessoas, a fim de que meditem nas palavras que estão ouvindo, mas na aplicação o pregador fala ao coração, a fim de que pratiquem as palavras ouvidas.   
A aplicação é a meditação posta em prática. 
 
4. Apelo 
O apelo é o processo de requerer do auditório uma resposta positiva acerca do que foi explanado. O apelo é uma invocação feita aos ouvintes para que recebam os ensinamentos expostos na pregação. 
 
Deve ser enfatizado que a própria pregação já é em si um apelo. O verdadeiro apelo é feito pelo Espírito Santo. Ele chama e invoca os homens para que ouçam a sua Palavra, e quando estes se voltam para ela, demonstram sua fé nas palavras que ouviram. As Escrituras afirmam que a fé vem pelo ouvir da Palavra de Deus, portanto a exposição da palavra é o apelo que o Espírito Santo dirige aos homens para que ouçam, creiam e a recebam a palavra em seu coração. Isto não impede entretanto que se façam apelos à platéia de forma visual, por meio de um levantar de braço ou solicitando ao ouvinte que vá à frente da congregação. Deve-se, no entanto, entender que esses fatos não se constituem na concretização do apelo, e, portanto, deve, este tipo de apelo, ser usado com moderação.  
 
Voltemos ao sermão temático para estudarmos juntamente com os outros, de forma mais detalhada. 
 
O SERMÃO TEMÁTICO
 
Classificação dos Sermões
 
            Como já vimos, há muitos tipos de sermões e muitos meios de classificá-los. Na tentativa de classificá-los, os autores de obras de homilética usam definições diversas que às vezes se sobrepõem. Alguns escritores classificam os sermões de acordo com o conteúdo ou assunto; outros, segundo a estrutura, e ainda outros quanto ao método psicológico usado no momento da apresentação da mensagem. Com já falamos, existem outros métodos, mas talvez o menos complicado seja a classificação em temáticos, textuais e expositivo e biográfico. Estudaremos a preparação de mensagens bíblicas examinando estes quatros tipos principais.
 
Definição do Sermão Temático
 
            Começaremos a apresentação do sermão temático com uma definição que, se o estudante compreender bem, terá dominado os elementos básicos da redação temática.
 
            Sermão Temático é aquele cujas divisões principais derivam do tema, independentemente do texto.
            Examine com cuidado esta definição. A primeira parte afirma que as divisões principais devem ser extraídas do próprio tema do sermão. Isso significa que o sermão temático tem início com um tema ou tópico, e que suas partes principais consistem em idéias derivadas desse assunto.
 
Exemplo de Sermão Temático
 
            A fim de compreendermos com maior clareza a definição, trabalhemos juntos num esboço simples.
            Escolheremos, como tema, razões para oração não respondida. Note que não estamos usando um texto, mas um tema bíblico. Deste tema vamos derivar as divisões principais. Portanto, precisamos descobrir o que a Bíblia apresenta como razões para a oração não respondida.
 
            Meditando em várias partes das Escrituras referentes ao nosso tema e trazendo-as à mente, encontramos textos, os quais indicam por que, com freqüência, a oração fica sem resposta. É neste ponto que uma boa Bíblia de referência e uma concordância bíblica completa, ou uma Bíblia dividida em tópicos, são de valor inestimável.
 
            Com a ajuda destas referências bíblicas descobrimos as seguintes causas para a oração não respondida:
 
1.      Pedir mal, Tg. 4:3.
2.      Pecado no coração, Sl. 66:18.
3.      Duvidar da Palavra de Deus, Tg. 1:6-7
4.      Vãs repetições, Mt. 6:7.
5.      Coração não perdoador.
6.      Desobediência a Palavra, Pv. 28:9.
7.      Procedimento irrefletido nas relações conjugais, I Pe. 3:7.
 
Aqui temos um esboço temático bíblico, cujas divisões principais derivam do tema, razões para a oração não respondida, e são sustentadas por um versículo da Bíblia.
 
Unidade de Pensamento
 
É preciso observar que, segundo o exemplo dado acima, o sermão temático contém uma idéia central. Em outras palavras, esse esboço trata de um único tema, a saber: razões para a oração não respondida. Podemos pensar em muitos outros fatores importantes referentes à oração, tais como o seu significado, sua importância, seu poder, seus métodos e os resultados obtidos. Contudo, a fim de nos mantermos fiéis à definição do sermão temático, lembrando que na introdução deve-se falar da importância e significado da oração, não esquecendo que o principal desta mensagem é razões por que a oração não é respondida.
 
Tipos de Temas
 
A Bíblia trata de todas as fases concebíveis da vida e das atividades humanas. Também revela os propósitos de Deus na graça para com os homens, no tempo e na eternidade. Assim, a Bíblia contém uma fonte inesgotável de temas, dentre os quais o pregador pode selecionar material para as mensagens temáticas adequadas a toda ocasião e condição em que as pessoas se encontrem.
 
Escolhas de Temas
 
            Na seleção do tema, devemos buscar a direção do Senhor, que no-la dará à medida que passamos tempo em oração e meditação na Palavra de Deus.
 
            Embora o sermão temático não se baseie diretamente num texto bíblico, o ponto de partida para uma idéia sobre a qual construímos um esboço temático pode ser um versículo bíblico. Por exemplo, Gálatas 6:17, diz: “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus.” Não há dúvida de que Paulo, nesta passagem, se refere as cicatrizes deixadas em seu corpo por seus perseguidores, cicatrizes que eram marcas visíveis de que ele pertencia a Cristo para sempre.
 
            Fontes extrabíblicas revelam que, quando Paulo escreveu estas palavras, o ferrete era usado não apenas para marcar animais, mas também seres humanos, deixando marcas na carne que jamais podiam ser apagadas ou removidas.
           
Como resultado desta informação, construímos o esboço temático apresentado abaixo:
Título: “As marcas de Jesus”
 
 Tema: As marcas de um crente dedicado.
 
1.      Como o escravo, o crente dedicado leva a marca da posse do Mestre a quem ele pertence, I Co. 6:19-20; Rm. 1:1.
 
2.      Como o soldado, o crente dedicado leva a marca da devoção ao Comandante a quem serve, II Tm. 2:3; II Co. 5:15.
 
3.      Como o devoto, o crente dedicado leva a marca de adorador do Mestre, a quem venera, Fp. 1:20; II Co. 4:5.
 
Princípios Básicos da Preparação de Esboços Temáticos
 
1.      As divisões principais devem vir em ordem lógica ou cronológica.
Isto significa que devemos ter como alvo desenvolver o esboço em progressão lógica ou cronológica, que será determinada pela natureza do tópico. Escolhemos como tema as verdades vitais referentes a Jesus Cristo, e assim construímos o seguinte esboço:
 
                  Título: “Digno de Adoração”
                  Tema: Verdades vitais referentes a Jesus Cristo.
1.      Ele é Deus manifestado na carne, Mt. 1:23.
2.      Ele é o salvador dos homens, I Tm. 1:15.
3.      Ele é o Rei vindouro, Ap. 11:15.
 
Observe que este esboço está em ordem cronológica. Jesus Cristo, Filho de Deus, primeiramente se encarnou, depois foi à cruz e deu a vida para tornar-se nosso Salvador, e algum dia virá para reinar como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Observe também que, de acordo com a definição de sermão temático, as divisões não são tiradas do título, mas do tema ou assunto. O mesmo se aplica a todos os esboços temáticos apresentados neste capítulo.
 
Abaixo encontra-se outro exemplo de progressão, no qual as divisões estão dispostas em ordem lógica. O tema trata das características da esperança do crente, e empregaremos estas três palavras “Esperança do Crente”, como título do esboço:
 
     Título: “Esperança do Crente”
     Tema: Características da esperança do crente.
1.      É uma esperança viva, I Pe. 1:3.
2.      É uma esperança salvadora, I Ts. 5:8.
3.      É uma esperança segura, Hb. 6:19.
4.      É uma boa esperança, II Ts. 2:16.
5.      É uma esperança invisível, Rm. 8:24.
6.      É uma esperança bendita, Tt. 2:13.
7.      É uma esperança eterna, Tt. 3:7.
 
Note que o esboço atinge o auge na última divisão.
 
Vários Esboços Temáticos
 
Usando “satanás, nosso Arquinimigo” como título, podemos analisar o tema da seguinte maneira:
Título: “Satanás, Nosso Arquinimigo”.
Tema: Principais fatos bíblicos a respeito de satanás.
 
1.      Sua origem, Ez. 28:12-17.
2.      Sua queda, Is. 14:12-15.
3.      Seu poder, Ef. 6:11-12; Lc. 11:14-18.
4.      Suas atividades, II Co. 4:4; Lc. 8:12; I Ts. 2:18.
5.      Seu destino, Mt. 25:41.
Note que, se omitíssemos a segunda divisão principal deste esboço, não teríamos uma análise satisfatória do tópico, pois faltaria uma característica básica.
 
As divisões principais podem apresentar as várias provas de um tema.
O esboço que se segue foi construído dessa maneira:
 
     Título: “Conhecendo a Palavra de Deus”.
     Tema: Alguns benefícios do conhecimento da palavra de Deus.
 
1.      O conhecimento da Palavra de Deus torna a pessoa sábia para a salvação, II Tm. 3:15.
2.      O conhecimento da Palavra de Deus nos impede de pecar, Sl. 119:11.
3.      O conhecimento da Palavra de Deus produz crescimento espiritual, I Pe. 2:2.
4.      O conhecimento da Palavra de Deus resulta num viver vitorioso, Js. 1:7-8.
Vemos que cada uma das divisões principais deste esboço confirma o tópico: cada afirmativa nas divisões principais mostra um dos benefícios do conhecimento da Palavra de Deus.
 
Podemos, pois, construir um esboço com o título: “Testemunho eficaz”, no qual cada divisão consista numa comparação do testemunho do crente com o sal:
 
     Título: “Testemunho Eficaz”.
     Tema: Comparação do testemunho do crente com o sal.
 
1.      Como o sal, o testemunho do crente deve temperar, Cl. 4:6.
2.      Como o sal, o testemunho do crente deve purificar, I Ts. 4:4.
3.      Como o sal, o testemunho do crente não deve perder o sabor, Mt. 5:13.
4.      Como o sal, o testemunho do crente deve produzir sede, I Pe. 2:12.
 
As divisões principais podem ser repetições de uma palavra ou frase tirada da Escritura.
A frase “Deus pode” ou “Ele pode” ou “Ele é poderoso” (na qual o pronome “Ele” se refere ao Senhor) ocorre várias vezes na Bíblia. Tendo esta proposição como base de cada divisão principal, obtemos o seguinte esboço:
 
     Título: “A capacidade de Deus”
     Tema: Algumas coisas que Deus pode fazer.
 
1.      Ele pode salvar, Hb. 7:25.
2.      Ele pode guardar, Jd. 24.
3.      Ele pode socorrer, Hb. 2:18.
4.      Ele pode subordinar, Fp. 3:21.
5.      Ele pode conceder graça, II Co. 9:8.
6.      Ele pode fazer muito mais do que pedimos ou pensamos, Ef. 3:20.
 
As divisões principais podem ter o apoio de uma palavra ou frase bíblica.
Isso significa que se emprega a mesma palavra ou frase bíblica, não no esboço, como é o caso da regra anterior, mas na substanciação da afirmativa de cada divisão.
 
     Título: “A Vida de Amor”.
     Tema: Fatos referentes à vida de amor.
 
1.      É fundada no propósito eterno de Deus, Ef. 1:4-5.
2.      É produzida pela habitação de Cristo, Ef. 3:17.
3.      Deve manifestar-se em nossos relacionamentos cristãos, Ef. 4:1-2,15.
4.      Resultará na edificação e crescimento da igreja, Ef. 4:16.
5.      É exemplificada pelo próprio Cristo, Ef. 5:1-2.
 
O estudante diligente descobrirá que é freqüente a repetição de palavras e frases importantes na Bíblia. Às vezes, expressões significativas são repetidas no mesmo livro, como no caso acima. Estas repetições não são acidentais; sem dúvida foram registradas na Palavra de Deus para que lhes demos atenção
 
Série de Mensagens Temáticas
 
A preparação de esboços temáticos possibilita um conjunto de mensagens sobre algum assunto. Aqui, também, a variedade da série que pode ser desenvolvida quase não tem limites, mas o espaço não nos permite mais que uns poucos exemplos.
“Retratos do Homem Perfeito” fornece o título geral para a seguinte série de sermões:
 
                 “O amor de Jesus”
                 “O rosto de Jesus”
                 “As mãos de Jesus”
                 “As lágrimas de Jesus”
                 “A cruz de Jesus”
                 “O Sangue de Jesus”
                 “O Nome de Jesus”
 
Caso haja a necessidade de nosso povo conhecer certas formas de erro, pode se escolher o título geral de “Enganos Espirituais comuns”, e usar as sugestões seguintes como título da série:
 
                 “O Engano dos Testemunha de Jeová”
                 “O Engano do Mormonismo”
                 “O Engano da Ciência Cristã”
                 “O Engano do Adventismo do Sétimo Dia”
                 “O Engano da ‘Unificação’”
                 “O Engano do Espiritismo”
“Vida em Plano mais Elevado” pode formar a base de uma série de sermões com títulos como os que damos a seguir:
                
“A Vida Disciplinada”
                 “A Vida Consagrada”
                 “A Vida Contente”
                 “A Vida de Oração”
                 “A Vida Abundante”
 
Outra excelente série pode ser chamada de “Vida Cristã Vitoriosa”, e podemos usar os seguintes títulos:
                 “Como ser um crente que cresce”
                 “Como ser um crente Espiritual”
                 “Como ser um crente Útil”
                 “Como ser um crente tranqüilo”
                 “Como ser um crente feliz”
                 “Como ser um crente vitorioso”
 
Um plano que tem significação especial para a época em que vivemos pode ser chamado se “O Lar Cristão”, e incluir títulos como os seguintes:
 
                 “O Fundamento do Lar Cristão”
                 “O Relacionamento da Esposa com o Marido e com Cristo”
                 “A Responsabilidade do Marido para com a Esposa e para com Cristo”
                 “Privilégios da Paternidade”
                 “Disciplina no Lar”
                 “Devoções Familiares”
                 “Ameaças ao Lar Cristão”
                 “Vida Familiar Feliz”
 
Exercícios
 
1.      Preparar um esboço temático usando um dos temas relacionados sob a seção: Tipos de Temas. Assegure-se de que todas as divisões provenham do tema e que tenham apoio bíblico sadio.
2.      Preparar um esboço temático usando um tema de sua própria escolha, e sustentar cada divisão principal com uma passagem bíblica adequada. Tenha cuidado em seguir os princípios sugeridos acima.
3.      Fazer uma relação de temas apropriados para o culto do Dia das Mães e preparar um esboço temático de cada um deles.
 
4.      Procure uma palavra ou frase importante que ocorra repetidas vezes em um Livro do Novo Testamento e desenvolva um esboço temático das repetições dessa palavra ou frase.
 
5.      Tome um assunto geral e faça uma relação de seis títulos para uma série de mensagens sobre ele. Disponha a relação toda numa ordem que ofereça a apresentação mais eficaz, e desenvolva um esboço sobre um tema relacionado com um dos seis títulos.
 
6.      De acordo com a regra dos Princípios Básicos da Preparação de Esboços Temáticos, desenvolva um esboço tendo “Jóias de Deus” como título, e cujas divisões consistam em uma comparação dos filhos de Deus com as jóias.
 
7.      Examine a Epístola aos Filipenses e faça uma relação de cinco de suas feições doutrinárias. Formule um esboço temático da mesma Epístola sobre qualquer um desses cinco itens.
8.      Com a ajuda de uma concordância completa, prepare um estudo da palavra “perdoar”.
O SERMÃO TEXTUAL
 
Definição
 
As divisões saem de dentro do próprio texto.
No sermão textual temos um tipo de discurso diferente do sermão temático. Neste, iniciamos com um texto; naquele começamos com um tema. Observe com cuidado a definição de sermão textual:
 
Sermão Textual é aquele em que as divisões principais são derivadas de um texto constituído de uma breve porção da Bíblia. Cada uma dessas divisões é usada como uma linha de sugestão, e o texto fornece o tema do sermão.
 
O exame desta definição deixa claro que no sermão textual as linhas principais de desenvolvimento são tiradas do próprio texto. Desta maneira, o esboço principal mantém-se estritamente dentro dos limites do texto.
O texto pode consistir em apenas uma linha de um versículo bíblico, ou um versículo todo, ou até mesmo dois ou três versículos. Os autores de livros de homilética não definem especificamente a extensão da passagem que pode ser usada para o sermão textual, mas para o nosso propósito limitaremos o texto do esboço textual a um máximo de três versículos.
 
A Segunda parte da definição afirma que cada divisão principal derivada do texto “é usada como uma linha de sugestão”. Isto significa que as divisões principais sugerem as feições a serem discutidas na mensagem. Às vezes o texto é tão rico e pleno que dele podemos extrair muitas verdades ou traços, que servirão para o desenvolvimento dos pensamentos contidos no esboço. Outras vezes, pode ser-nos necessário recorrer a outras porções da Bíblia a fim de desenvolvermos as divisões principais. Em outras palavras, as divisões principais do esboço textual devem provir do próprio texto, mas o desenvolvimento pode proceder ou do texto ou de outras porções bíblicas.
 
A definição afirma ainda que “o texto fornece o tema do sermão”. Em contraste com o sermão temático, no qual começamos com um tópico ou tema, agora iniciamos com um texto, que indicará a idéia dominante da mensagem.
 
Exemplos de Esboços de Sermões Textuais
 
Como primeiro exemplo, tomemos Esdras 7:10, que diz: “Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a Lei do Senhor e para a cumprir e para ensinar em Israel os Seus estatutos e os Seus juízos.” Muitas vezes é útil consultar uma tradução moderna a fim de obter um significado mais claro da passagem.
Examinando com cuidado o texto, observamos que o versículo todo tem como centro o propósito do coração de Esdras, e assim traçamos as seguintes divisões do versículo:
 
a.       Estava disposto a conhecer a Palavra de Deus, “Esdras tinha disposto o coração para                 buscar a Lei do Senhor.”
b.      Estava disposto a obedecer à Palavra de Deus, “e para a cumprir”.
c.       Estava disposto a ensinar a Palavra de Deus, “e para ensinar em Israel os Seus estatutos e os Seus juízos”.
 
Um bom tema, tirado das idéias sugeridas no texto, pode ser, pois, o propósito do coração de Esdras.
Cada uma das divisões principais, segundo a definição, agora é usada como “uma linha de sugestão” e indica o que vamos dizer acerca do texto.
 
Na primeira divisão principal, falaremos do propósito do coração de Esdras de conhecer a Palavra de Deus. Contudo, Esdras 7:10 não apresenta detalhes ou informações suficientes para o desenvolvimento da primeira divisão principal, por isso precisamos valer-nos de outras porções bíblicas para esse desenvolvimento.
Examinando o contexto de Esdras 7:10, descobrimos que o versículo 6 do mesmo capítulo diz: “Ele (Esdras) era escriba versado na Lei de Moisés, dada pelo Senhor Deus de Israel”. Os versículos 11, 12 e 21 também se referem a Esdras como “escriba da Lei de Deus”. Os versículos 14 e 25 indicam ainda que até mesmo Artaxerxes, rei da Pérsia, reconhecia que Esdras tinha conhecimento das Lei de Deus. Eis, portanto, um homem que, embora conhecesse bem a Lei Divina, não se contentou com o conhecimento que possuía, mas entregou-se ao estudo diligente a fim de saber mais. E isto ele fez em meio aos engodos e depravação de uma corte pagã onde, é evidente, ele era tido em grande consideração.
 
Enquanto Esdras lia a Palavra de Deus, certas passagens dos livros históricos e dos Salmos sem dúvida causaram-lhe grande impressão. No livro de Josué ele teria lido: “Não cesses de falar deste livro da Lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo a tudo quanto nele está escrito; então farás prosperar o seu caminho e serás bem-sucedido” (1:8). Em Pv. 8:34-35 ele também teria notado: “Feliz o homem que me dá ouvidos, velando dia a dia às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada. Porque o que me acha acha a vida, e alcança favor do Senhor.” Então em Jr. 29:13 ele teria ouvido o Senhor desafiar-lhe o coração: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.” Certamente passagens coo estas teriam impressionado e inspirado o escriba versado na lei, a buscar de todo o seu coração conhecê-la ainda mais intimamente.
 
Podemos resumir a primeira divisão principal em duas breves subdivisões. Note uma vez mais a primeira grande divisão:
 
1ª “Tinha disposto o coração para buscar a lei do Senhor”, e observe como conduz ela os nossos pensamentos às subdivisões, ou oferece sugestões sobre o que dizer sobre o texto.
1.      Em uma corte pagã.
2.      De uma maneira completa.
 
A Segunda divisão principal do esboço de Esdras 7:10, diz:
2ª “Estava disposto a obedecer à Palavra de Deus”. De acordo com a definição do sermão textual, esta segunda divisão se transforma numa linha de sugestão, indicando o que deve ser discutido sob este título. Assim, devemos de alguma forma tratar da obediência de Esdras à Palavra de Deus, e, portanto, apresentar as seguintes subdivisões:
 
1.      Para prestar uma obediência pronta.
2.      Para prestar uma obediência completa.
3.      Para prestar uma obediência contínua.
 
O versículo 10 não descreve o tipo de obediência que Esdras havia decidido prestar a Palavra de Deus, mas podemos colher estas idéias em outras partes do seu livro, especialmente nos capítulos 9 e 10.
 
3ª “Estava disposto a ensinar a Palavra de Deus”, podem-se desenvolver as seguintes subdivisões:
1.      Com clareza.
2.      Ao povo de Deus.
 
O texto não diz que Esdras planejava ensinar a Palavra de Deus a fim de tornar compreensível o seu sentido, mas isto se esclarece em Ne. 8:5-12.
 
            Ao fazer o esboço de Esdras 7:10 em sua totalidade, deve-se tornar ainda mais claro ao leitor que cada divisão principal tirada do texto serve como linha de sugestão. As subdivisões não passam de um desenvolvimento de idéias contidas nas respectivas divisões principais; porém, o material das subdivisões é extraído de outras porções das Escrituras.
 
            Texto: Esdras 7:10.
            Título: “Dando Prioridade às coisas Importantes”
 
            Assunto: O propósito do coração de Esdras.
1.      Estava disposto a conhecer a Palavra de Deus.
a.       Numa corte pagã.
b.      De maneira completa.
2.      Estava disposto a obedecer a Palavra de Deus.
a.       Prestar uma obediência pronta.
b.      Prestar uma obediência completa.
c.       Prestar uma obediência contínua.
3.      Estava disposto a ensinar a Palavra de Deus.
a.       Com clareza.
b.      Ao povo de Deus.
 
Observe que o título é diferente do tema. Para uma explicação completa dos títulos de sermões, veja o cap. 5. Convém mencionar aqui, porém, que quando o tema do sermão é suficientemente interessante, pode também servir de título.
 
Para o segundo exemplo de esboço de um sermão textual, usaremos Isaías 55:7, que diz: “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos, coverta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” As subdivisões deste esboço não foram tiradas totalmente do texto, pois a terceira subdivisão da última divisão principal provém de outras partes da Bíblia.
 
     Texto: Isaías 55:7.
     Título: “A Bênção do Perdão”.
     Assunto: O perdão divino.
 
1.      Os objetos do perdão divino: “Deixe o perverso... os seus pensamentos.”
a.       O perverso (literalmente os que são vis externamente).
b.      O iníquo (literalmente, os que são pecadores “respeitáveis”).
2.      As condições do perdão divino: “Deixe... o seu caminho... converta-se ao Senhor.”
a.       O pecador deve deixar o mal.
b.      O pecador deve converte-se a Deus.
3.      A promessa do perdão divino: “Que se compadecerá dele... porque é rico em perdoar”.
a.       Um perdão misericordioso.
b.      Um perdão abundante.
c.       Um perdão completo, Sl. 103:3; Mq. 7:18-19; I Jo. 1:9.
 
Os exemplos de esboços textuais dados acima devem ser suficientes para mostrar que as divisões principais no esboço textual devem ser tiradas do versículo ou versículos que formam a base da mensagem, ao passo que as subdivisões podem ser extraídas do mesmo texto ou de outras partes das Escrituras, desde que as idéias contidas nelas sejam um desenvolvimento adequado de suas respectivas divisões principais.
 
Princípios Básicos para a Preparação de Esboços Textuais
 
1.      O esboço textual deve girar em torno de uma idéia principal, e as divisões principais devem ampliar ou desenvolver essa idéia.
 
Uma das primeiras tarefas do pregador na preparação de um sermão textual é fazer um estudo completo do texto, descobrir nele a idéia dominante e a seguir, derivar as divisões principais (veja o cap. 9). Cada divisão se transforma, pois, numa ampliação ou desenvolvimento do assunto. No exemplo já apresentado sobre Esdras 7:10, o tema é o propósito do coração de Esdras, e cada uma das divisões principais, tiradas do texto, desenvolve essa idéia dominante.
 
Ao prepararmos um esboço textual às vezes descobrimos que as divisões principais de alguns textos são tão óbvias que teremos pouca ou nenhuma dificuldade em encontrar o seu relacionamento com uma idéia dominante. Mas, em geral, é melhor descobrir primeiro o assunto do texto, pois ficará mais fácil discernir as divisões principais.
 
2.      As divisões principais podem consistir em verdades ou princípios sugeridos pelo texto.
O esboço do sermão textual não precisa consistir em uma análise do texto. Pelo contrário, as verdades ou princípios sugeridos pelo texto podem formar as divisões principais.
Leia Jo. 20:19-20 e observe que no esboço que damos abaixo as verdades espirituais expressas nas divisões principais são extraídas do texto.
 
                  Texto: João 20:19-20
                  Título: “A alegria da Páscoa”.
 
                  Assunto: Semelhanças do povo de Deus com os discípulos.
1.      À semelhança dos discípulos, o povo de Deus às vezes se encontra perturbado, sem a consciência da presença de Cristo, v. 19a.
 
a.       Às vezes se encontra profundamente perturbado por causa de circunstâncias adversas.
b.      Às vezes se encontra desnecessariamente perturbado em meio a circunstâncias adversas
2.      À semelhança dos discípulos, o povo de Deus experimenta o consolo de Cristo, v. 19b-20a.
a.       Experimentam o consolo de Cristo por sua vinda a eles quando mais dele precisam.
b.      Experimentam o consolo de Cristo através das palavras que ele lhes fala.
3.      À semelhança dos discípulos, o povo de Deus se alegra com a presença de Cristo, v. 20b.
a.       Alegra-se, embora suas circuntâncias adversas não mudem.
b.      Alegra-se, porque Cristo está em seu meio.
 
No decurso de nosso ministério não devemos deixar de fazer uso total de textos como estes, tão óbvios em sua estrutura. Entretanto, para o estudante que procura adquirir habilidade de construir sermões textuais, seria sábio evitar tais esboços “fáceis” , e concentrar seus melhores esforços em textos que lhe desafiarão o pensamento na elaboração de esboços.
 
3.      O contexto do qual se tira o texto deve ser cuidadosamente observado e com ele relacionado.
Para uma interpretação correta das Escrituras, é fundamental o relacionamento do texto com seu contexto. É preciso reconhecer a importância desse procedimento, pois o desprezo desta regra pode resultar em sérias distorções na verdade ou na incompreensão total da passagem. Temos, como exemplo, Cl. 2:21, que diz: “Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro.” Se tirarmos este versículo do seu contexto, é provável que caímos no erro de crer que Paulo insiste numa forma de rigoroso ascetismo. Mas, lido no seu contexto, Cl. 2:21 refere-se a certas regras e regulamentos que os falsos mestres estavam buscando impor aos cristãos de Colossos.
 
Textos extraídos de porções históricas da Escritura também perdem sua significação, a menos que se estude com cuidado o relacionamento que têm com o contexto. Este fato se torna óbvio tratando-se de Dn. 6:10, que diz: “Daniel, pois, quando soube que a Escritura estava assinada, entrou em sua casa, e, em cima, no seu quarto, onde havia janela abertas da banda de Jerusalém, três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer.” As orações e ações de graças de Daniel nesta ocasião assumem sua significação própria somente em relação à ameaça à sua vida, descrita nos versículos anteriores.
 
4.      Alguns textos contêm comparações ou contrastes que podem ser mais bem tratados ressaltando-se suas similares ou diferenças propositais.
 
O tratamento de textos desse tipo dependerá de uma observação cuidadosa do conteúdo do versículo ou versículos em questão.
Em Hb. 13:5-6 temos uma comparação traçada entre o que o Senhor disse e o que podemos dizer em conseqüência. Uma olhada rápida nestes versículos torna óbvia a comparação: “Ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?”
 
Observe o contraste tríplice em Pv. 14:11. Diz o texto: “A casa dos perversos será destruída, mas a tenda dos retos florescerá.” É evidente que a escolha de palavras foi proposital, a fim de dar ênfase à diferença entre os perversos e os retos, a casa e a tenda, e a destruição daquilo que parece uma estrutura mais forte do perverso em contraste com a permanência da estrutura mais fraca dos retos.
 
Observe também os contrastes em II Co. 4:17: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.” Neste versículo encontramos um contraste proposital entre a tribulação presente e a recompensa futura, entre as dificuldades desta vida e as bênçãos vindouras.
 
5.      Dois ou três versículos, tirados de partes diferentes da Escritura, podem ser reunidos e tratados como se fossem um único texto.
 
Em vez de usarmos alguns desses versículos para apoiar a primeira divisão principal e o restante para sustentar a segunda, unimo-los como se fossem um único texto, e dessa combinação extraímos as divisões principais.
 
Tal combinação deve ser feita somente quando os versículos têm um relacionamento definido. Feita corretamente, uma mensagem textual deste tipo torna-se um meio valioso de reforçar a verdade espiritual. Tomemos, por exemplo, At. 20:19-20 e I Co. 15:10. Notemos que estas duas referências tratam do ministério do apóstolo Paulo:
 
 
“Servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobreviveram; jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa, e devo-la ensinar publicamente e também de casa em casa” (At. 19:19-20).
 
      “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus comigo” (I Co. 15:10).
 
1.      Deve ter sido um ministério humilde: “Servindo ao Senhor com toda humildade.”
2.      Deve ter sido um ministério fervoroso: “Com ... lágrimas.”
3.      Deve ter sido um ministério de ensino: “Vo-la ensinar publicamente.”
4.      Deve ter sido um ministério de poder divino: “Trabalhei ... a graça de Deus.”
5.      Deve ter sido um ministério fiel: “Jamais deixando de vos anunciar.”
6.      Deve ter sido um ministério trabalhoso: “Trabalhei muito mais do que todos eles.”
 
 
Um título adequado para este esboço seria: “O Ministério que Conta”.  
 
Conclusão
 
            Ao terminar a discussão do sermão textual, notemos um esboço em II Co. 5:21: “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que nEle fôssemos feitos justiça de Deus.” O leitor observará neste exemplo, que, de acordo com a definição do sermão textual, as divisões principais são tiradas inteiramente do próprio texto, ao passo que as subdivisões não se derivam, necessariamente, do texto, mas têm por base outras passagens bíblicas.
 
                        Texto: II Co. 5:21.
                        Título: “O Salvador de Pecadores”.
 
                        Assunto: Características do nosso Salvador.
1.      Ele é um Salvador perfeito.
a.       Nunca pecou contra Deus ou o homem, Jo. 18:38; 19:4; Mt. 27:3-4; I Pe. 2:22.
b.      Foi íntima e exteriormente perfeito, Mt. 17: 5; Hb. 10:5-7; I Pe. 1:19.
2.      É um Salvador vicário.
a.       Levou nossa culpa na cruz, Is. 53:6; I Pe. 2:24.
b.      Morreu para salvar-nos de nossos pecados, Rm. 4:25; I Pe. 3:18.
3.      É um Salvador que justifica.
a.       É o meio, pela graça, de nossa justificação perante Deus, Rm. 3:24.
b.      Torna-se nossa justiça mediante a fé em Sua obra redentora, Rm. 3:21-22; 5:1; I Co. 1:30.
 
O principiante, em geral, encontra considerável dificuldade no preparo de esboços textuais. Isto se deve ao fato de que a formulação do esboço textual muitas vezes requer exame cuidadoso das divisões naturais do texto. Entretanto, tais dificuldades não devem constituir-se um obstáculo, mas um desafio para que o estudante adquira a capacidade de desenvolver sermões textuais. À medida que se dedica à tarefa, adquirirá, talvez sem perceber, a habilidade de descobrir o esboço oculto no texto, além de familiarizar-se mais e mais com preciosas porções da Palavra de Deus.
 
O obreiro diligente também encontra outra feição recompensadora nos sermões textuais – uma recompensa que vem na hora da entrega da mensagem. À medida que o jovem pregador revela as riquezas contidas no seu texto, ele notará como sua mensagem delicia, entre o povo de Deus, os que têm mente espiritual para receber o alimento que até mesmo um único versículo da Escritura pode oferecer.
 
Exercícios
 
1.      Prepare um esboço textual sobre I Ts. 2:8, dando título, assunto e divisões principais. Neste, e em todos os demais esboços textuais a serem preparados, escreva depois de cada divisão principal a porção do texto que lhe dá apoio.
 
2.      Prepare um esboço textual sobre Tt. 2:11-13, dando título, tópicos e divisões principais. Como recomendado acima, depois das divisões principais cite as porções do texto que a elas se aplicam.
 
3.      Procure seu próprio texto e, empregando o método de abordagem múltipla, elabore dois esboços do mesmo texto. Escreva o texto por extenso e indique o título, o tema e as divisões principais de cada esboço.
 
4.      Use apenas a segunda metade do Salmo 51:7 como texto e formule um esboço, apresentando título, assunto e divisões principais.
 
5.      Procure textos (não devem conter mais de três versículos) para cada uma das seguintes ocasiões:
a.       Um sermão para o dia de Ano-novo.
b.      Um sermão para o dia dos pais.
c.       Um sermão para o culto de apresentação de um bêbe.
d.      Uma mensagem fúnebre para um pai (ou mãe) crente.
e.       Um culto de casamento.
f.        Um culto evangelístico.
g.       Uma reunião de jovens.
h.       Uma mensagem missionária.
i.         Um culto de Domingo de manhã.
j.        Uma mensagem para obreiros cristãos.
Escreva cada texto por extenso, na ordem apresentada acima, e dê um título apropriado a cada um.
 
6.      Prepare um esboço textual sobre Dn. 6:10, indicando título, assunto e divisões principais.
 
7.      Em Gn. 39:20-21 há um contraste proposital entre os versículos 20 e 21. Faça um esboço baseado nesta passagem, dando título, assunto e divisões principais.
 
 
SERMÃO EXPOSITIVO
 
 
Definição
 
            O sermão expositivo é o modo mais eficaz de pregação, porque, mais que todos os outros tipos de mensagens, ele, com o tempo, produz uma congregação cujo o ensino é fundamental na Bíblia. Ao expor uma passagem da Sagrada Escritura, o ministro cumpre a função primária da pregação, a saber, interpretar a verdade bíblica (o que nem sempre se pode dizer dos outros tipos de sermões).
 
            Sermão Expositivo é aquele em que uma porção mais ou menos extensa da Escritura é interpretada em relação a um tema ou assunto. A maior parte do material deste tipo de sermão provém diretamente da passagem, e o esboço consiste em uma série de idéias progressivas que giram em torno de uma idéia principal.
 
            Examinando esta definição, notamos em primeiro lugar que o sermão expositivo baseia-se em uma “porção mais ou menos extensa da Escritura”. A passagem pode consistir em uns poucos versículos ou pode incluir um capítulo inteiro ou até mesmo mais de um capítulo. Para o nosso objetivo, porém, usaremos na discussão toda do sermão expositivo um mínimo de quatro versículos, mas não estabeleceremos limites para o número máximo de versículos.
 
            O sermão expositivo, portanto, como o sermão temático e o textual, gira em torno de um tema. Mas, na mensagem expositiva, esse tema é extraído de vários versículos em vez de um único ou até mesmo de dois.
 
            A definição também afirma que “a maior parte do material do sermão provém diretamente da passagem”. A mensagem expositiva apresenta não apenas as idéias principais da passagem; os detalhes também devem ser corretamente explicados e devem fornecer o material principal do sermão. Segue-se, portanto, que quando derivamos todas as subdivisões, bem como as divisões principais, do mesmo trecho bíblico, e quando todas estas divisões são corretamente expostas ou interpretadas, o esboço baseia-se, pois diretamente na passagem escolhida.
 
Devemos ter em mente, no decorrer do sermão expositivo, o tema da passagem; e, à medida que desenvolvemos essa idéia principal, deve seguir-se no esboço uma série de idéias, progressivas relacionadas com o tema. Isto, sem dúvida, ficará mais claro para o leitor ao observar ele os exemplos dados neste capítulo.
 
Uma parte importante de nossa definição não deve ser desprezada. Note novamente a primeira parte da definição: “sermão expositivo é aquele em que uma porção mais ou menos extensa da Escritura é interpretada”. Examine com cuidado estas últimas palavras. Na exposição, cabe-nos esclarecer ou elucidar o significado do texto bíblico. É este o próprio gênio da pregação expositiva: tornar o significado das Escrituras claro e simples. Para tanto, precisamos estudar os detalhes até dominá-los. Lembremo-nos sempre, porém, de que a elucidação de uma passagem bíblica deve ter como objetivo relacionar o passado com o presente, ou mostrar que a verdade é aplicável aos dias de hoje. 
 
Diferença entre o sermão textual e o expositivo
 
            É bom a esta altura, que se compreenda claramente a diferença entre o sermão textual e o expositivo.
Já vimos que o sermão textual é aquele em que as divisões principais derivam de um texto constituído de uma breve porção bíblica, em geral um único versículo ou dois, ou às vezes até mesmo parte de um versículo. No caso do sermão expositivo, o texto pode ser uma porção mais ou menos extensa da Bíblia – às vezes um capítulo inteiro ou até mais – e as divisões provêm da passagem.
 
Repito: na mensagem textual, as divisões oriundas do texto são usadas como uma linha de sugestão; isto é indicam a tendência do pensamento a ser seguido no sermão, permitindo que o pregador tire as subdivisões ou idéias para o desenvolvimento do esboço de qualquer parte da Escritura, consoante ao desenvolvimento lógico dos pensamentos contidos nas divisões principais. O sermão expositivo, por outro lado, obriga o pregador a extrair todas as subdivisões, bem como as divisões principais, da mesma unidade bíblica que pretende expor. Desta maneira, o sermão todo consiste na exposição de certo trecho bíblico, e a passagem converte-se no próprio tecido do discurso. Em outras palavras, o corpo de pensamento provém diretamente do texto, e o sermão passa a ser, definitivamente, interpretativo.
 
Como afirmamos no capítulo 2, alguns textos, embora compreendam único versículo ou dois, contêm tantos detalhes que podemos derivar da mesma passagem não apenas as divisões principais mas também as subdivisões. Quando assim se faz, o sermão textual é tratado expositivamente, e o discurso todo torna-se uma exposição do texto.
 
Exemplos de esboços de sermão expositivo
 
            Como primeiro exemplo de um esboço de sermão expositivo usaremos Efésios 6:10-18. Para que o estudante siga o procedimento usado na elaboração do esboço, instamos a que primeiro leia a passagem várias vezes e a estude com cuidado antes de examinar o esboço dado adiante. Sugerimos também fazer o mesmo antes de cada um dos outros esboços deste capítulo e em todo o restante desta apostila.
 
Um exame, por breve que seja, de Ef. 6:10-18, nos levará a concluir que Paulo aqui trata da batalha espiritual do crente e procura apresentar as várias feições relacionadas a esse conflito, de modo que o filho de Deus possa tornar-se um guerreiro bem sucedido.
 
Se examinar-mos a passagem com bastante atenção, veremos que nos versículos 10 a 13 o apóstolo anima o crente a ser corajoso e firme em face de inimigos espirituais avalassadores. Em outras palavras, Paulo refere-se, nestes versículos, à moral cristã. Os versículos 14 e 17 lidam com as diferentes partes da armadura que o Senhor providenciou para o santo em face de inimigos sobre-humanos. Concluímos, portanto, que esta seção pode ser descrita como a armadura do crente. Antes, porém, de terminar sua discussão dos aspectos envolvidos nesta guerra espiritual, o apóstolo acrescenta o versículo 18.
 
Aqui ele diz ao crente vestido com a armadura de Deus que também deve entregar-se à oração incessante no Espírito e à intercessão constante por todos os santos. É óbvio, pois, que o aspecto final apresentado por Paulo, em conexão com o conflito espiritual, é a vida de oração do crente. Agora estamos prontos para elaborar um esboço de três aspectos principais discutidos pelo apóstolo em conexão com a guerra espiritual:
 
1.      A Moral do crente, v. 10-13.
2.      A Armadura do crente, v. 14-17.
3.      A vida de oração do crente, v. 18.
 
Examinando mais atentamente os versículos 10 e 13, vemos que o grande apóstolo acentua, pelos menos dois aspectos da moral cristã. Para começar, ele insta a que o crente, no conflito espiritual, coloque sua confiança no Senhor e, tendo feito isso, permaneça firme (veja os versículos 11,13 e 14a.), não importa quão grandes e poderosos pareçam seus inimigos. No desenvolvimento do esboço expositivo podemos assim descobrir duas subdivisões sob a divisão principal da “Moral do crente”. Primeira, a moral do crente deve ser elevada, e, Segunda, deve ser firme.
 
Chegando a Segunda sessão da unidade expositiva, a saber, aos aos versículos 14 a 17, observamos que as diferentes partes da armadura do crente podem ser agrupadas em duas relações principais: as primeiras peças do equipamento constituem a armadura defensiva, e o último ítem da lista, a espada do espírito, a armadura ofensiva. A propósito, é interessante notar que a armadura não provê proteção alguma para as costas, pela razão óbvia de que o Senhor não tenciona que seus soldados jamais se virem e fujam no dia da batalha.
 
A seção final, versículo 18, também pode ser subdividida em duas partes. Atenção cuidadosa à primeira parte do versículo revela como a vida de oração do crente deve ser persistente, enquanto a segunda parte diz que todo esse esforço deve ser a favor de outros.
 
Feitas estas observações, estamos prontos para apresentar o esboço completo, com todas as subdivisões e divisões principais oriundas da mesma passagem. De acordo com a porção da Escritura a ser exposta, selecionamos como título do esboço, “A Boa Luta da Fé”.
 
Título: “A Boa Luta da Fé”.
Assunto: Aspectos relacionados com a guerra espiritual do crente.
 
1.      A moral do crente, v. 10-14a.
a.       Deve ser elevada, v 10.
b.      Deve ser firme, v 11-14a.
2.      A armadura do crente, v 14-17.
a.       Deve ter caráter defensivo, v 14-17a.
b.      Deve também ter caráter ofensivo, v 17b.
3.      A Vida de Oração do crente, v 18
a.       Deve ser persistente, v 18.
b.      Deve ser intercessora, v 18b.
 
Para que o sermão seja verdadeiramente expositivo, devemos interpretar ou explicar corretamente as subdivisões, bem como as divisões principais. Desta maneira o pregador cumpre o propósito da exposição, que é derivar da passagem a maior parte do material de seu sermão e expor seu conteúdo em relação a um único tema principal.
 
Selecionamos Exôdo 14:1-14 como segundo exemplo de um sermão expositivo. Não podemos, a esta altura, examinar todos os procedimentos exegéticos desta passagem, mas enquanto não os compreendermos, não estaremos preparados para empreender a elaboração de um sermão expositivo.
 
Entretanto, uma vez que tenhamos feito o exame cuidadoso e necessário do texto, estaremos prontos para construir um esboço da passagem bíblica. Escolhemos, como ponto principal de ênfase, as lições a serem tiradas do “Beco Sem Saída”, pois é óbvio que, como o povo de Israel no mar Vermelho, às vezes também nos encontramos numa situação da qual não parece haver escape ou livramento. Com esta idéia em mente, extraímos várias lições ou verdades do texto, como segue:
 
1.      “Beco Sem Saída” é o lugar a que às vezes Deus nos leva, v. 1:4a.
2.      “Beco Sem Saída” é o lugar em que Deus nos prova, v. 4b-9.
3.      “Beco Sem Saída” é o lugar em que às vezes falhamos com o Senhor, v. 10-12.
4.      “Beco Sem Saída” é o lugar em que Deus nos ajuda, v. 13-14.
 
Para que o leitor veja como estas verdades foram derivadas do texto, deve voltar a passagem uma vez mais, e examinar o desenvolvimento do esboço ponto por ponto.
Êxodo 14:1-14 não apenas oferece quatro lições principais, mas também fornece todas as subdivisões para o esboço. O texto provê, assim, a maior parte do material necessário para o sermão.
Agora apresentamos o esboço de Êxodo 14:1-14, mostrando as subdivisões sob suas respectivas divisões principais:
 
                        Título: “Beco Sem Saída”
1.      “Beco Sem Saída” é o lugar a que às vezes Deus nos leva, v.1-4a.
a.       Mediante ordem específica, v.1-2
b.      Para seus próprios propósitos, v.3-4a.
2.      “Beco Sem Saída” é o lugar em   que Deus nos prova, v. 4b-9.
a.       No caminho da obediência, v.4b
b.      Permitindo que nos sobrevenham circunstâncias difíceis, v.5-9
3.      “Beco Sem Saída” é o lugar em que às vezes falhamos com o Senhor, v.10-12
a.       Por nossa falta de fé, v. 10.
b.      Por nossas reclamações, v. 11-12.
4.      “Beco Sem Saída” é o lugar em que Deus nos ajuda, v.13-14
a.       No momento certo, v. 13.
b.      Tomando controle, v. 14.
 
Uma vez mais, aconselhamos que o aluno compare o esboço dado acima com o texto, e veja por si mesmo que as subdivisões, à semelhança das divisões principais, foram todas sugeridas pela passagem em questão.
 
Baseamos nosso terceiro exemplo de sermão expositivo em um esboço sobre Lc. 19:1-10. Depois de um estudo exegético da passagem, tratamos estes versículos tendo por tema a conquista de Zaqueu, um homem “perdido”. Que diz esta passagem acerca de nosso assunto? Examinando-a cuidadosamente, descobrimos os seguintes fatos principais acerca da conquista de Zaqueu, o homem “perdido”, os quais fornecem a análise da passagem.
 
1.      Buscando a Zaqueu, v. 1-4.
2.      Sendo amigo de Zaqueu, v. 8-10.
3.      A salvação de Zaqueu, v. 8:10.
 
Examinamos a passagem mais cuidadosamente agora e consideramos o que o texto contém com respeito a estes pontos principais. O resultado de nosso estudo revela, sob a primeira divisão principal, dois aspectos em relação com a busca de Zaqueu:
 
1.      A busca que Jesus fez para encontrar Zaqueu foi conduzida sem estardalhaço.
2.      A visita de Cristo a Jericó estimulou o coração de Zaqueu a se interessar em vê-lo.
 
Na Segunda divisão principal, vemos dois outros aspectos:
 
1.      Jesus fez-se amigo de Zaqueu, o homem que não tinha amigos (veja v.7), convidando a si mesmo para ir à sua casa!
2.      O convite que Jesus fez a si mesmo para ir à casa de Zaqueu teve duplo efeito – um eleito feliz sobre Zaqueu, mas um efeito desagradável sobre o povo de Jericó.
 
Sob a terceira divisão principal, encontramos os seguintes fatos:
 
1.      A salvação de Zaqueu evidencia-se pela mudança extraordinária que lhe aconteceu imediatamente.
2.      Cristo declara a salvação de Zaqueu em termos inconfundíveis.
 
A passagem deixa claro que Zaqueu, o pecador perdido, encontrou um amigo em Jesus ou, melhor ainda, Jesus o encontrou! Escolhemos, pois, para título da mensagem: “Conquistado Pelo Amor”.
Agora estamos prontos para organizar nosso esboço:
 
     Título: “Conquistado Pelo Amor”.
1.      Buscando a Zaqueu, v. 1-4.
a.       Seu modo, v. 1.
b.      Seu efeito, v. 2-4
2.      Sendo amigo de Zaqueu, v. 5-7.
a.       Seu modo, v. 5.
b.      Seus efeitos, v. 6-7.
3.      A salvação de Zaqueu, v. 8-10
a.       Sua evidência, v. 8
b.      Sua declaração, v. 9:10.
 
Examinando o esboço, vemos uma progressão natural de idéias, todas relacionadas com a conquista de Zaqueu, cujo o clímax foi a salvação do chefe dos publicanos.
       
A disposição mecânica de uma passagem bíblica
 
            Muitos estudantes da Bíblia, a fim de descobrirem sua estrutura, acham proveitoso preparar uma disposição mecânica da passagem. A disposição mecânica das afirmativas principais do texto torna-o mais significativo para nós. Devemos distinguir entre as orações principais e as subordinadas, providenciando espaço, arranjando uma série de palavras, frases ou orações de modo que acentuem seus relacionamentos. Também devemos ressaltar os verbos principais e as palavras ou idéias importantes, incluindo conectivos tais como ora, pois, e, mas, então e portanto.
 

            Usando este procedimento, reproduzimos abaixo o texto de Lucas 19:1-10. Note que esta disposição do texto nos ajuda, não somente a analisar a passagem e ver suas partes principais, mas também observar os itens do trecho bíblico que, de outra forma, nos escapariam à atenção.

 
Tipos de mensagens erroneamente tidas como sermões expositivos
 
            Devemos mencionar a esta altura dois tipos de sermões erroneamente tidos como expositivos. A definição destas formas de mensagens mostrará ao leitor que diferem do sermão expositivo em um ou mais aspectos importantes.
 
1.      A homilia bíblica.
Homilia bíblica é um comentário sobre uma passagem bíblica, longa ou curta, explicada e aplicada versículo por versículo, ou frase por frase. Em geral, a homilia não possui estrutura homilética, pois consiste em uma série de observações sem tentativa de mostrar como as partes do texto ou do todo se relacionam, isto é, sem levar em conta a unidade ou a coesão estrutural.
 
2.      A preleção exegética.
Preleção exegética é um comentário detalhado de um texto, com ou sem ordem lógica ou aplicação prática. É importante que o pregador seja capaz de fazer um estudo exegético da Palavra de Deus. Contudo, o que a congregação deseja não é o processo do estudo, mas os resultados dele. A exegese interpreta o significado oculto da passagem; a exposição apresenta esse significado de maneira correta e eficaz.
 
Alguns escritores de homilética fazem observações críticas a da homilia bíblica e da preleção exegética. Contudo, certos pastores parecem possuir o dom de descobrir no texto aspectos tais que requerem ênfase ou elucidação, de modo que suas mensagens, embora consistam em pequenos sermões desarticulados, são uma grande bênção para o povo de Deus.
 
Princípios básicos da preparação de esboços expositivos
 
1.       Devemos estudar cuidadosamente a passagem bíblica sob consideração a fim de compreendermos seu significado e obtermos o assunto do texto.
 
Uma das primeiras etapas do desenvolvimento do esboço expositivo é a descoberta do tema da passagem. Uma vez obtido o tema, em geral o desenvolvimento do esboço se simplifica. Para se encontrar o tema principal da passagem, contudo, é necessário estudar o texto com diligência (veja capítulo 9).
 
Por mais que o queiramos, jamais conseguiremos ressaltar demais a importância de um estudo bem feito da passagem. Esse estudo dá ao pregador uma visão das Escrituras que ele não pode obter de outra maneira. Métodos superficiais, ao acaso ou desmazelados, jamais farão um verdadeiro expositor. O ministério do ensino da Bíblia requer que o homem de Deus ponha o coração e a alma neste mister, o que significa gastar horas em pesquisa difícil e piedosa, em concentração contínua, buscando o motivo do escritor sagrado e o verdadeiro significado do trecho bíblico.
 
Como resultado de tal estudo, o pregador adquirirá uma visão nova quanto ao propósito da passagem. O texto todo muitas vezes se iluminará aos seus olhos, de modo que ele verá verdades antes ocultas.
Nessa investigação do texto, mais cedo ou mais tarde o pregador descobrirá o assunto principal que permeia a unidade expositiva, bem como as partes naturais nas quais ela poderá ser dividida.
 
2.       Palavras ou frases importantes do texto podem indicar ou formar as divisões principais do esboço.
Já ressaltamos que a repetição de palavras ou frases significativas possui, em muitas passagens, um propósito especial, e é evidente que algumas destas palavras ou frases têm a finalidade de indicar a transição de uma idéia importante a outra.
Como exemplo de repetição, examinemos os versículos 3-14 do primeiro capítulo de Efésios. Depois de ler a passagem, observe o seguinte:
 
                 v. 6 – “para louvor da glória de sua graça”
                 v.12 – “para louvor da sua glória”
                 v.14 – “em louvor da sua glória”
 
A repetição destas frases leva-nos a inquirir se o Espírito de Deus tenciona que cada uma delas indicasse uma divisão de pensamento. Estudando o trecho com esta idéia em mente, descobrimos que o apóstolo aqui trata da obra redentora de Deus. A primeira seção, que conclui com o versículo 6, descreve a obra de Deus Pai em nossa redenção; a segunda seção, que termina com o versículo 12, fala da obra de Deus Filho; e a terceira seção, que consiste nos versículos 13 e 14, apresenta a obra de Deus Espíito Santo. De forma que a obra da redenção é atribuída às três pessoas da Trindade. Não é de admirar que o apóstolo exclame, no final de cada seção: “para o louvor da sua glória!”.
 
3.       A ordem do esboço pode ser diferente da ordem da unidade expositiva.
Em geral, é bom, mas nem sempre necessário, que as divisões principais e as subdivisões sigam a ordem exata dos versículos bíblicos. Pode ocorrer o caso da ordem lógica ou cronológica determinar que as divisões principais ou as subdivisões sejam colocadas numa sequência diferente daquela apresentada no texto.
Observe o seguinte esboço de Êxodo 12:1-13, no qual a quarta e a quinta divisões principais não seguem a ordem dos versículos da unidade expositiva, este esboço tem características Biográfica:
 
Título: “O Cordeiro de Deus”
Assunto: Aspectos do cordeiro pascal prefigurativos de Cristo, o Cordeiro Pascal.
1.      Foi um cordeiro divinamente determinado, 12:1-3.
2.      Foi um cordeiro perfeito, 12:5.
3.      Foi um cordeiro morto, 12:6.
4.      Foi um cordeiro redentor, 12:7; 12-13.
5.      Foi um cordeiro sustentador, 12:8-11.
 
4.       As divisões principais podem ser extraídas das verdades importantes sugeridas pela passagem.
Esboços deste tipo são, em geral, tirados de passagens bíblicas históricas e proféticas, e consistem nas principais verdades ou lições espirituais que os fatos pareçam sugerir ou exemplificar. Estas verdades ou princípio espirituais tornam-se, então, as divisões principais do esboço.
            Usamos, como exemplo desse tipo de esboço, o acontecimento histórico do dilúvio (capítulos 6-7 de Gênesis), este esboço tem características Biográfica:
 
 
                        Título: “O Deus Com Quem Devemos Lidar”
                        Assunto: Verdades acerca de Deus em relação a seus tratos com o homem.
 
1.      Ele é o governante moral do universo, 6:1-7, 11-13.
a.       Que nota as ações dos homens, 6:1-6, 11-12.
b.      Que pronuncia juízo sobre os homens por causa da sua culpa, 6:7; 13.
2.      Ele é o Deus da graça, 6:3; 8-22.
a.       Que provê um meio de escape do juízo do pecado, 6:8-22.
b.      Que oferece misericórdia ao culpado, 6:3.
3.      Ele é o Deus da fidelidade, 7:1-24.
a.       Que cumpre Sua palavra de juízo, 7:11-24.
b.      Que cumpre as promessas feitas aos seus, 7:1-10, 23.
 
Observemos um segundo exemplo tirado do livro de Obadias, que contém apenas 21 versículos, e é uma profecia da destruição de Edom. Examinando o texto, descobrimos que ele faz uma revelação dupla do caráter de Deus, como segue:
 
            1. Ele é Deus de justiça, v.1-16.
            a. Que julga os homens por seu orgulho, v.1-9.
            b. Que julga os homens por sua violência, v. 10-16.
                        2. Ele é Deus de graça, v.17-21.
            a. Que traz libertação a seu povo, v.17,21.
            b. Que leva os seus às suas posses, v.17-21.
 
5. Através da abordagem múltipla, podemos analisar uma passagem bíblica de várias maneiras e tirarmos dois ou mais esboços inteiramente diferentes do mesmo trecho.
 
            Já nos referimos ao método de abordagem múltipla em conexão com os sermões textuais. Esse método é aplicável tanto ao tratamento de versículos isolados como a unidade expositiva.
Mediante a abordagem múltipla, podemos produzir diferentes esboços da mesma passagem. Cada esboço basear-se-á numa idéia dominante, revelada pelo Espírito de Deus, e que venha atender alguma necessidade especial ou circunstância do povo a quem servimos, ou influenciar outras condições que a igreja enfrenta no mundo complexo em que vivemos.
 
Entretanto, se começamos um sermão com um propósito definido e a seguir escolhemos uma passagem, jamais devemos forçar as idéias do texto a se encaixarem em nosso objetivo. Pelo contrário, devemos procurar na passagem conceitos ou verdades tais que se relacionam com nosso objetivo, derivados naturalmente da porção bíblica em apoio de nosso alvo. Se não encontramos na passagem aquilo que se encaixe em nosso objetivo, devemos procurar outro texto que corresponda ao alvo de nossa apresentação.
 
A fim de demostrar que uma única unidade expositiva pode aplicar-se corretamente a várias situações, apresentamos abaixo quatro esboços diferentes baseados em Mt. 14:14-21, que trata da alimentação de 5 mil pessoas. Com a finalidade de descobrir o conteúdo da passagem, podemos examiná-la do ponto de vista de cada pessoa ou grupo de pessoas a que o texto se refere, incluindo as pessoas da Trindade. Com tal procedimento, podemos fazer a nós mesmos perguntas como as que se seguem: O que revela a passagem a respeito dessas pessoas, e o que cada uma diz, faz, ou experimenta?
 
Para nosso primeiro exemplo, tomaremos como pensamento dominante da unidade expositiva os atributos de Jesus:
 
     Título: “Nosso Senhor Singular”.
1.      A compaixão de Jesus, v. 14.
a.       Demonstrada em seu interesse pela multidão, v. 14.
b.      Demonstrada em seu serviço a multidão, v. 14.
2.      A ternura de Jesus, v. 15-18.
a.       Demonstrada em sua resposta graciosa aos discípulos, v. 15-16.
b.      Demonstrada em seu trato paciente com os discípulos, v. 17-18.
3.      O poder de Jesus, v. 19-21.
a.       Manifesto na alimentação da multidão, v. 19-21.
b.      Exercido mediante o serviço dos discípulos, v. 14-21.
 
Agora tratamos a mesma mensagem do ponto de vista de Cristo como supridor de nossas necessidades:
     
     Título: “Veja Deus Operar”.
1.      Cristo se interessa por nossas necessidades, v. 14-16.
a.       Tem compaixão de nós em nossas necessidades, v. 14, 16.
b.      Ele nos considera em nossas necessidades quando outros não se importam conosco, v. 15-16.
2.      Cristo, ao suprir nossas necessidades, não se restringe pelas circunstâncias, v. 17-19
a.       Ele não se restringe por nossa falta de recursos, v. 17-18.
b.      Ele não se restringe por qualquer outra falta, v. 19.
3.      Cristo supri as nossas necessidades, v. 20-21.
a.       Supre nossas necessidades com abundância, v. 20.
b.      Provê muito mais do que o suficiente, v. 20-21.
 
No terceiro esboço, consideramos o texto do ponto de vista do problema que escaramos:
                        Título: “Resolvendo Nossos Problemas”.
1.      Às vezes nos confrontam problemas, v. 14-15.
a.       De grandes porções, v. 14-15.
b.      De natureza premente, v. 15.
c.       De solução impossível, humanamente falando, v. 15.
2.      Cristo é abundantemente capaz de solucionar nossos problemas, v. 16-22.
a.       Sob a condição de que lhe entregamos nossos recursos limitados, v. 16-18.
b.      Sob a condição de que lhe obedeçamos sem questionar, v. 19-22.
 
Para o quarto exemplo, basearemos o esboço na idéia da fé em relação com a necessidade humana:
 
     Título: “Relacionando a Fé com a Necessidade Humana”.
1.      O desafio da fé, v. 14-16.
a.       O motivo do desafio, v. 14-15.
b.      A substância do desafio, v. 16.
2.      A obra da fé, v. 17-19.
a.       O primeiro ato de fé, v. 17-18.
b.      O segundo ato de fé, v. 19.
3.      A recompensa da fé, v. 20-21.
a.       A bem-aventurança da recompensa, v. 20a.
b.      A grandeza da recompensa, v. 20b-21.
 
Vimos, assim, quatro modos diferentes pelos quais podemos tratar Mateus 14:14-21 com finalidade e propósitos diferentes.
 
 
6. Examine o contexto histórico e cultural da passagem, sempre que possível.
 
            Muitas passagens bíblicas não podem ser adequadamente compreendidas fora de seu contexto histórico e cultural. A interpretação sadia de tais passagens, portanto, será determinada por um exame das porções históricas a que se relacionam intimamente, e ao seu ambiente cultural e geográfico.
 
            Esta regra diz respeito principalmente aos profetas maiores e menores em sua conexão com os livros históricos do Antigo Testamento, e às epístolas de Paulo em sua relação com o livro de Atos. Tome, por exemplo, o livro de Jonas. Não se pode compreender a mensagem deste pequeno livro sem uma referência a I e II Reis, em particular ao capítulo 14 de II Reis, onde ficamos sabendo da trágica condição de apostasia de Israel nos dias de Jonas. O livro deste profeta é, pois, visto como um chamado ao arrependimento dirigido ao reino do Norte, ao arrependimento de Nínive, e também uma advertência ao povo de Deus quanto ao juízo terrível que o aguardava se continuasse em sua rebeldia obstinada contra o Senhor.
 
7.Os detalhes do texto devem ser tratados correta, mas não exaustivamente.
            Já ressaltamos que no sermão expositivo é necessário interpretar a Escritura. Isso significa tratar os detalhes do texto de maneira a aclarar o seu significado e propósito à congregação. É este aspecto que ressalta a importância da pregação expositiva na comunicação da verdade divina.
 
            É justamente neste ponto que o principiante precisa tomar cuidado especial. Na tentativa de fazer uma exposição completa, o jovem pregador muitas vezes se perde numa multidão de detalhes, de tal sorte que seu sermão se sobrecarrega de material exegético, e exegese não é o propósito final deste tipo de apresentação. A exegese não passa do meio pelo qual descobrimos as verdades contidas na passagem. O pregador deve, portanto, ter em mente que, embora deve tornar claro o significado da passagem, o alvo do sermão expositivo é a apresentação de um único tema principal. De acordo com este princípio, o pregador deve introduzir apenas os detalhes pertinentes ao tema de sua mensagem. Outros materiais, não importa quão interessantes sejam, devem ser deixados de fora. Aquele que prega deve, pois, compreender que, embora omitindo muitos detalhes, pode manter-se fiel à sua passagem e sua exposição ser positivamente bíblica. É claro que, quanto mais longa for a passagem, tanto maior será a necessidade de selecionar os detalhes a serem omitidos na apresentação.
 
            Convém acrescentar, contudo, que às vezes os detalhes, que à primeira vista parecem insignificantes, realmente podem ter grande importância. Nem sempre o valor principal da exposição está na palavra difícil, nem no tempo peculiar. Com efeito, às vezes o próprio coração da verdade que o pregador deseja transmitir encontra-se num tempo verbal, numa preposição ou em alguma outra classe gramatical aparentemente insignificante.
 
8.      As verdades do texto devem relacionar-se com o presente.
Uma das críticas comuns ao discurso expositivo é que o pregador, ao empregar esse método, muitas vezes falha em aplicar as verdades bíblicas aos homens nas circunstâncias e ambiente em que vivem. Com muita freqüência, o elaborador de sermões se contenta com uma simples explicação do texto, e não demonstra como a passagem se aplica a assuntos correntes e vitais. A falta não é da Bíblia, pois a Palavra de Deus é viva e poderosa e tem aplicação constante e universal aos homens em todas as épocas e de todas as posições sociais. Antes, a culpa é de quem não vê a necessidade ou a importância de a verdade divina aplicar-se aos problemas e condições hodiernas. O pregador deve, portanto, certificar-se de que interpreta a Bíblia e ao mesmo tempo extrai dela verdades eternas de aplicação prática aos membros de sua congregação.
 
Erros comuns da parte dos que desejam ser expositores
 
É possível que a habilidade de interpretar as Escrituras de modo adequado, discernindo o que deve ou não ser incluído na exposição de certa passagem, nos tome tempo considerável e demande muito esforço de nossa parte. Visto que em geral os principiantes cometem certos erros nesta área, pedimos atenção especial para o que apresentamos a seguir.
 
Alguns têm dificuldade na exposição porque, no processo da exegese, perdem-se no acúmulo de detalhes e não conseguem ver a mensagem principal do texto. Esse tipo de sermão contém tantos detalhes que é difícil para o ouvinte acompanhar a mensagem.
 
Outro erro comum da parte dos futuros expositores é que se deixam desviar da passagem a ser exposta e divagam por algum tempo antes de voltar ao texto em mão.
Talvez o erro mais sério esteja em não interpretar a passagem corretamente. Isso às vezes se deve à incapacidade de compreender o texto, mas com tanto material excelente disponível hoje, o pregador não tem desculpa ao violar os princípios da sadia hermenêutica bíblica.
 
Variedade na pregação expositiva
 
É provável que, a esta altura, seja óbvio ao leitor que o método expositivo tem um largo alcance. Uma unidade expositiva pode apresentar doutrina, quando o texto tratar de alguns fundamentos da fé cristã. Pode ser devocional, contendo ensino sobre um caminhar mais íntimo com Deus. Pode incluir ética, pois grande parte do material bíblico possui caráter moral, etc.
 
Para ter-se uma idéia da veriedade de material que pode ser usado na mensagem expositiva, apresentamos, a seguir, quatro exemplo de esboços desse tipo de sermão. O primeiro baseia-se numa parte histórica do Evangelho de João, a saber, João 11:1-6, 19-44; o segundo é tirado da última porção da parábola de Cristo sobre o filho pródigo, relacionada com o irmão mais velho, Lucas 15:25-32; o terceiro é extraído da poesia hebraica, Salmo 23; e o quarto deriva-se das epístolas de Paulo, Efésios 4:30-5:2.
 
     Título: “O Melhor Amigo”.
     Texto: João 11:1-6; 19-44.
     Assunto: Jesus, nosso melhor amigo.
1.      Jesus, um amigo amoroso, v. 3-5.
a.       Que ama cada um de nós individualmente, v. 3, 5.
b.      Que permite, não obstante, que nos sobrevenham aflições, v. 3.
2.      Jesus, um amigo compreensivo, v. 21-36.
a.       Que compreende nossos pesares mais profundos, v. 21-26, 32.
b.      Que se compadece de nós em nossas dores mais profundas, v. 33-36.
3.      Jesus, um amigo poderoso, v. 37-44.
a.       Que pode realizar coisas miraculosas, v. 37.
b.      Que realiza milagres quando cumprimos as condições que Ele exige, v. 38-44.
 
Título: “O Fariseu Ontem e Hoje”.
Texto: Lucas 15:25-32.
Assunto: Aspectos do farisaísmo visto no caráter do irmão mais velho.
1.      Era um homem de justiça própria, v. 29-30.
a.       Indicada por sua reivindicação de obediência, v. 29.
b.      Manifestada por sua atitude para com o irmão, v. 29-30.
2.      Era um homem desamoroso, v. 28-30.
a.       Como o indica sua atitude para com a volta do irmão, v. 28.
b.      Ele praticamente deserdou o irmão, v. 30.
3.      Era um homem crítico, v. 25-30.
a.       Como o indicam as faltas que encontrou no irmão, v. 30.
b.      Como mostram as faltas que encontrou no pai, v. 27-30.
c.       Como manifesta sua recusa de entrar, v. 28.
d.      Como indica sua atitude persistente, v. 29-32.
Nota: Embora este último esboço pareça não ter um ensino de natureza positiva ou construtiva, verifica-se o oposto em seu desenvolvimento e conclusão.
 
 
                                   Título: “O Salmo do Contentamento”.
Texto: Salmo 23.
Assunto: A bases do contentamento das ovelhas do Senhor.
1.      O Pastor das ovelhas, v. 1.
a.       Um Pastor divino, v. 1.
b.      U m Pastor pessoal, v. 1
2.      A provisão das ovelhas, v. 2-5.
a.       Descanso, v. 2.
b.      Direção, v. 3.
c.       Conforto, v. 4.
d.      Fartura, v. 5.
3.      O futuro das ovelhas, v. 6.
a.       Um futuro brilhante nesta vida, v. 6.
b.      Uma bendita esperança para o além, v. 6.
 
 
Título: “Andando em Amor”.
Texto: Efésios 4:31-5:2.
Assunto: uma disposição verdadeiramente cristã.
1.      É marcada pela ausência de sentimentos maus, 4:31.
a.       De toda espécie, v. 31.
b.      De todo grau, v. 31.
2.      É marcada pela atitude de perdão, 4:32.
a.       Uns para com os outros, v. 32.
b.      Em vista da graça de Deus para conosco, v. 32.
3.      É marcada pela atitude de devoção amorosa, v. 5:1-2.
a.       Como filhos, v. 1.
b.      Com o amor de Cristo, v. 2.
 
Observe que todas as subdivisões e respectivas divisões principais desses esboços derivam da mesma passagem bíblica.
 
O estudante deve ter em mente que, de acordo com a definição, o sermão expositivo baseia-se num trecho mais ou menos extenso da Escritura. Os esboços expositivos apresentados até aqui foram tirados de passagens breves, mas pode-se produzir variedade na pregação expositiva construindo-se sermões fundamentados em porções bíblicas mais extensas. Mesmo assim, é impossível incluir no sermão todos os detalhes do texto. Pelo contrário, o esboços tratará apenas de alguns pontos salientes da passagem. Mostramos a seguir um esboço expositivo baseado na Primeira Epístola aos Tessalonicenses.
 
                 Título: “A Igreja no Que Tem de Melhor”.
Texto: I Tessalonicenses
1.      Fé, 1:1-2:16.
a.       Baseada na Palavra de Deus, 1:2-5, 9-10; 2:13.
b.      Que mantém os crentes firmes em face da tribulação, 1:6; 2:14-16.
2.      Amor, 2:17-4:12.
a.       Que os crentes demonstram para com os anciãos na fé, 3:6.
b.      Que os crentes demonstram una para com os outros, 3:12; 4:9-10
3.      Esperança, 4:13-5:28.
a.       Firmada na vinda do Senhor para os seus, 4:13-18; 5:9-10, 23.
b.      Que aguarda a reunião com os amados que partiram antes, 4:13-18.
 
Em João 12:41 lemos que Isaías “viu a glória dele e falou a seu respeito”. Esta afirmativa do Evangelho de João leva a nossa atenção para o livro de Isaías, do qual retiramos o seguinte esboço básico:
 
Título: “Contemplando a Glória de Cristo”.
Assunto: Predições concernentes a Cristo no livro de Isaías.
1.      Contemplamo-lo no ministério da encarnação, 7:14; 9:6.
2.      Contemplamo-lo na maravilha da divindade, 9:6.
3.      Contemplamo-lo na baixeza da servidão, 42:1-7; 49:5-6; 50:4-10; 52:13; 53:12.
4.      Contemplamo-lo nas glórias de seu reino vindouro, 11:1-16; 59:20-66:24.
 
 
Série de sermões expositivos
 
            O método expositivo presta-se admiravelmente bem ao desenvolvimento de uma série de mensagens. É natural e normal que o pregador continue por várias semanas suas exposições sobre uma passagem extensa ou use unidades expositivas relacionadas.
 
Quando o pastor profere uma série de sermões expositivos, atinge o grau mais elevado do ministério do ensino da Palavra de Deus a seu povo. Mediante esse ensino ele pode ajudar seus ouvintes a observar a inteireza de determinado livro ou de certo segmento longo da Bíblia, e também o relacionamento das partes com o todo e a relação das partes do livro entre si. Além disso, esse tipo de pregação dá continuidade ao ministério do ensino bíblico, e, à medida que apresenta passagem após passagem, o povo pode progredir no conhecimento da revelação divina.
 
Várias são as maneiras de se desenvolver uma série de sermões expositivos. Uma das mais comuns é a de exposições sobre um livro da Bíblia. O número de sermões dependerá do comprimento e do conteúdo do livro. O propósito que o pregador pretende atingir também influirá na quantidade de mensagens da série.
Quando o pregador vai pregar sobre um livro todo, é bom usar a primeira mensagem para apresentar uma visão panorâmica do livro, dando à congregação uma idéia geral do seu alcance e propósito, possibilitando-lhe acompanhar com mais compreensão as diversas partes do texto, à medida que se desdobra cada seção, semana após semana.
 
Entretanto, o principiante não deve tentar a apresentação de uma série de mensagens sobre um livro da Bíblia enquanto não dominá-lo por completo e ter em mente seu conteúdo do primeiro ao último capítulo.
Os exemplos que se seguem darão ao estudante uma idéia de como dispor um grupo de mensagens sobre um livro todo.
 
Uma série sobre o livro de Jonas, começando com uma mensagem geral sobre o livro como um todo, pode conter títulos como os que damos abaixo:
 
     “Chamado ao Arrependimento” – baseado em Jonas, capítulos 1-4.
     “A Estultícia da Desobediência” - baseado em 1:1-16.
     “Sepultado em um Peixe” - baseado em 1:17.
     “Orando em Dificuldades” - baseado em 2:1-10.
     “Quando Deus se Arrependeu” - baseado em 3:1-10.
     “Lutando com Deus” - baseado em 4:1-11.
 
O livro do Gênesis, juntamente com a relação de homens de fé de Hebreus 11, fornece a matéria para sete mensagens consecutivas sobre a “Vida de Fé”. É especialmente significativa a ordem progressiva em que aparecem esses homens de fé no registro sagrado.
     “Abel – O Sacrifício da Fé”.   (Gn. 4:1-5; Hb. 11:4).
     “Enoque – A Jornada da Fé”. (Gn. 5:21-24; Hb. 11:5-6).
     “Noé – A Obra da Fé”. (Gn. 6:7; Hb. 11:7).
     “Abraão – A Obediência da Fé”.   (Gn. 12-18; Hb. 11:8-10).
     “Isaque – A Visão da Fé”.   (Gn. 26-27; Hb. 11:20).
     “Jacó – O Discernimento da Fé”   (Gn. 27-35; Hb. 11:21).
     “José – A Segurança da Fé”.   (Gn. 37-50; Hb. 11:22).
 
            A carta de Paulo aos Filipenses prepara o ambiente para uma série intitulada “Como Ser Feliz”, baseada consecutivamente em seus quatro capítulos:
 
            “Por meio de Cristo: Nossa Vida”.
            “Por meio de Cristo: Nosso Exemplo”.
            “Por meio de Cristo: Nosso Objetivo”.
            “Por meio de Cristo: Nossa Satisfação”.
 
            Além de uma série de mensagens expositivas derivadas de um livro todo, podem-se desenvolver várias mensagens sobre um tema contínuo, selecionando um assunto amplo e usando diversas passagens como base para sermões. “Milagres da Conversão” pode ser o título de uma série na qual cada mensagem descreve a conversão de certa pessoa. A seguir, damos uma relação de quatro milagres de conversão.
 
                        A mulher de Samaria, ou “Transformação Mediante a Conversão” (Jo. 4:1-44).
                        O ladrão na cruz, ou “Conversão Instantânea” (Lc. 23:39-43).
                        O eunuco etíope, ou “Coincidência Divina na Conversão”. (At. 8:26-40).
                        O carcereiro de Filipos, ou “Alegria Celeste na Conversão”. (At. 16:22-40).
 
            Há abundância de material na Bíblia para várias séries de mensagens expositivas. Podem-se usar passagens isoladas, que se relacionem entre si nesses grupos de mensagens. O cântico de Moisés, em Dt. 31:30-32:44; o cântico de Débora, em Jz. 5; e o cântico de Davi, em II Sm. 22, podem formar uma série intitulada “Cânticos dos Santos do Antigo Testamento”. As orações do Apóstolo Paulo encontradas em suas epístolas proporcionam outra série de mensagens expositivas.
 
Uma vez ou outra, seria bom apresentar uma série de sermões tirados dos Salmos. Podemos apresentar uma sucessão de mensagens sobre os Salmos de Coroação (Sl. 93-100), sobre os Salmos de Aleluia ( Sl. 106; 111; 112; 113; 135, e especialmente os Salmos 146-150), ou sobre os Salmos de Penitências (Sl. 6; 32; 38; 51; 102; 130; e 143). Sem dúvida, devíamos ter uma série que trate de Cristo nos Salmos, selecionando alguns dos Salmos messiânicos como base de nossos sermões. O Salmo 8 apresenta Cristo como o Filho do homem; o Salmo23, como o Bom Pastor das ovelhas; o Salmo 40, como o Profeta Divino e o Salmo 2, como o Rei Vindouro. Devemos observar, também, a relação admirável entre os Salmos 22, 23 e 24 e preparar três mensagens sucessivas com títulos como “O Bom Pastor em Sua Morte”, para o Salmo 22; “O Grande Pastor em Seu Poder”, para o Salmo 23, e o “O Pastor Principal em Sua Glória”, para o Salmo 24.
 
Adotando um tratamento inteiramente diferente para os Salmos, poderíamos organizar uma série de sermões expositivos sobre “Vozes dos Salmos”, tendo como Títulos:
 
     “A Voz da Penitência” (51).
     “A Voz da Ação de Graças” (103).
     “A Voz da Confiança” (27).
     “A Voz do Regozijo” (18).
     “A Voz do Louvor” (34).
 
Também podemos usar certa porção de um livro como a base de uma série, porção essa que pode consistir em vários capítulos com um tema comum, tais como Êxodo 25-40, sobre o Tabernáculo, ou Gênesis 37-50, sobre a vida de José , ou Daniel 7-12, sobre as visões de Daniel. As mensagens às sete igrejas da Ásia, de Apocalipse 2 e 3, dão-nos o material para um conjunto de sete sermões com os seguintes títulos:
 
     “A Igreja Ocupada” (2:1-7). Perdeu o mover – religioso.
     “A Igreja Sofredora” (2: 8-11). Perseguida.
     “A Igreja Transigente” (2:12-17). Saiu da Palavra.
     “A Igreja Corrupta” (2:18-29). Casou-se com o Estado.
     “A Igreja Morta” (3:1-6). Idólatra e Imoralidade.
     “A Igreja Missionária” (3:7-13). Reforma.
     “A Igreja Indiferente, Indefinida” (3:14-22).
 
            O expositor experiente pode apresentar um plano de mensagens fazendo uma sinopse de cada livro da Bíblia. Por exemplo, “Quatro Homens que Predisseram o Futuro” pode servir de título geral para uma série sobre os profetas maiores, resultando-se em cada caso um aspecto destintivo desse profeta.
                        “Isaías, o Profeta Messiânico”
                        “Jeremias, o Profeta Chorão”
                        “Ezequiel, o Profeta Silencioso”
                        “Daniel, o Profeta Apocalíptico”
 
            Terminamos este estudo sobre as séries de sermões expositivos com uma palavra de cautela. Embora uma série dessa natureza possibilite o ensino da Bíblia com uma inteireza que nenhum outro método de pregação pode alcançar, precisamos ter cuidado para que a série não seja demasiadamente longa. É possível que, mesmo com uma congregação acostumada ao método expositivo, o povo se canse de ouvir uma ênfase principal que exija sua atenção por muito tempo. A necessidade de cautela aplica-se, em particular, ao expositor menos experiente e incapaz de introduzir variedade suficiente nas mensagens ou despertar interesse por elas, quando seguem um tema principal ou são tiradas de um livro.
 
 
Conclusão
 
            De tudo o que dissemos neste capítulo, talvez tenhamos razão em afirmar que o método expositivo é, em certo sentido, o modo mais simples de pregar. Isto porque todos os materiais básicos para o sermão expositivo estão contidos na passagem a ser exposta, e, em regra geral, o pregador precisa apenas seguir a ordem apresentada no texto.
 
            O sermão expositivo possui, ainda, outras vantagens. Em contraste com outros tipos de mensagens, ele assegura um melhor conhecimento das Escrituras da parte do pregador e dos ouvintes.
            Existe outra vantagem: o estudante que se torna um hábil expositor da Palavra de Deus perceberá mais e mais, no decorrer de sua experiência, que a pregação expositiva dará muitas oportunidades para explanar passagens bíblicas que, doutra forma, talvez jamais fizessem parte de seu ministério.
 
 
 
 
Exercícios
 
1.      Indique as unidades expositivas do capítulo 4 de Filipenses, dando o número dos versículos que as contêm, e, no seu entender, qual é o ponto principal de ênfase de cada uma.
 
2.      Prepare um esboço expositivo sobre I Coríntios 3:1-8, dando título, assunto e divisões principais. Indique os versículos que se relacionam com cada divisão principal.
 
3.      Selecione duas ou três passagens bíblicas mais ou menos extensas e use-as como base para um esboço expositivo. Dê título, assunto e divisões principais, apresentando os versículos que apoiam cada divisão principal.
 
4.      Usando o método de abordagem múltipla, prepare um esboço de Lucas 19:1-10, selecionando outro ponto de ênfase que não seja o usado neste capítulo. Dê título, tema e divisões principais, e mostre os versículos que pertencem a cada divisão principal.
 
5.      Escolha sua própria unidade expositiva e prepare dois esboços expositivos sobre a mesma passagem. Indique o tema e as divisões principais de cada um.
 
6.      Selecione cinco passagens mais ou menos extensas, relacionadas entre si, para uma série de cinco mensagens, e dê títulos a cada uma. Prepare um esboço expositivo para a primeira.
 
7.      Faça uma relação de cinco títulos sobre a vida de José, tirados de Gênesis 37-50. Indique as unidades expositivas para cada título e formule um esboço expositivo de uma dessas porções.
 
8.      Estude com cuidado o texto da Epístola de Judas e dê, pelo menos, três títulos para uma série de mensagens sobre a Epístola. Desenvolva o primeiro em um esboço expositivo, mostrando o assunto e as divisões principais. 
           
 
SERMÃO BIOGRÁFICO
 
            Os sermões biográficos muitas vezes são construídos em linha similares. Começando com uma passagem um tanto extensa, que trate de um personagem bíblico, podemos procurar outras referências a essa pessoa e formar um quadro para um esboço de sermão biográfico.
 
            Como exemplo, tomemos Raabe, cuja vida encontra-se descrita em Josué, capítulos 2 e 6:22-25. Com a ajuda de uma concordância, porém, descobrimos mais oito referências a Raabe, incluindo Mateus 1:5.
 
Estudando um pouco mais, ficamos sabendo que três destas, Salmo 87:4, 89:10; e Isaías 51:9, não se referem à pessoa em questão, mas a certo monstro marinho mítico, que na Bíblia simboliza o Egito. Portanto, estudamos cuidadosamente as outras cinco ocorrências do nome de Raabe, e também os dois relatos detalhados de Josué. Como resultado de observação, análise e classificação cuidadosas dessas passagens, podemos preparar dois esboços biográficos de Raabe, baseados principalmente nos relatos do livro de Josué. O primeiro é analítico, e o segundo mostra as verdades ou princípios ensinados pela “fé viva” de Raabe:
 
                        Título: “De Pecadora a Santa”.
1.      Seu passado trágico, Js. 2:1; He. 11:31; Tg. 2:25.
2.      Sua fé em Deus, Hb. 11:31.
3.      Sua obra de fé, Js. 2:1-6; Tg. 2:25.
4.      Seu testemunho bendito, Js. 2:9-13.
5.      Sua influência maravilhosa, Js. 2:18-19; 6:22-23, 25.
6.      Sua posteridade nobre, Mt. 1:5; cf. Rute 4:21-22.
 
 
Título: “Fé Viva”.
1.      Uma fé que salva, Hb. 11:31.
2.      Uma fé que opera, Js. 2:1-6; Tg. 2:25.
3.      Uma fé que testifica, Js. 2:9-13.
4.      Uma fé que influência, Js. 2:18-19; 6:22-23, 25.
5.      Uma fé que dá frutos permanentes, Mt. 1:5; cf. Rute 4:21-22.
 
Outro exemplo de sermão biográfico pode ser extraído de Gênesis 13:2-13, 14:1-16; 19:1-38, e II Pe. 2:6-8, sobre a vida de Ló. Combinando estas passagens, vemos o trágico exemplo de um homem que andou no “conselho dos ímpios”, deteve-se “no caminho dos pecadores” e se assentou “na roda dos escarnecedores”.
 
     Título: “O Preço do Mundanismo”.
1.      Ele escolheu seu modo de vida, Gn. 13:1-13.
2.      Ele persistiu em sua própria escolha, Gn. 14:1-16; II Pe. 2:6-8.
3.      Ele sofreu as conseqüências de sua escolha errada, Gn. 19:1-38.
 
Aplicando as verdades espirituais que podemos tirar deste resumo biográfico, obtemos o seguinte esboço:
     Título: “Ganho ou Perda: A Escolha é Nossa”.
 
1.      Podemos escolher nosso modo de vida.
a.       Fazendo nossos próprios planos independentemente de Deus, como Ló, Gn. 13:1-13.
b.      Não levando em consideração as associações a que esse tipo de vida nos possa levar, como Ló, Gn. 13:12-13; II Pe. 2:6-8.
2.      Podemos persistir em nosso próprio estilo de vida.
a.       Não dando ouvidos à voz da consciência, como Ló II Pe. 2:6-8.
b.      Não dando ouvidos às advertências que Deus graciosamente nos faz, como Ló, depois de ser salvo por Abraão, Gn. 14:1-16.
3.      Devemos sofrer as conseqüências de nossa impiedade.
a.       Mediante a possível perda de tudo o que consideramos precioso, como Ló, Gn. 19:15-16, 30-35.
b.      Mediante a perda de nosso próprio caráter, como Ló, Gn. 19:1; 6-8; 30-38.
 
Os sermões biográficos podem ser construídos de acordo com outras diretrizes e incluir itens como a formação do indivíduo, o seu caráter, suas realizações e sua influência.
No sermão biográfico podemos, às vezes, contrastar os aspectos positivos com os negativos do caráter do indivíduo. Certa vez Charles H. Spurgeon pregou um sermão baseado em Marcos 16:14-20 e Lucas 23:6-12, apresentando os traços bons e maus do rei Herodes.
 
1.      Pontos positivos do caráter de Herodes.
a.       Embora não tivesse justiça, honestidade, e pureza, contudo ele possuía um pouco de respeito pela virtude, Mc. 6:14-20.
b.      Ele protegeu João Batista por causa da justiça e santidade deste, Mc. 6:20
c.       Ele gostava de ouvir a João Batista, Mc. 6:20.
d.      Sua consciência, evidentemente, sofreu grande influência da mensagem de João, Mc. 6:20.
2.      Falhas do caráter de Herodes.
a.       Embora respeitasse a João Batista, não se voltou para o mestre de João, Mc. 6:17-20.
b.      Não amou a mensagem que João enviou, Mc. 6:17-20.
c.       Embora fizesse muitas coisas como resultado da mensagem de João, permaneceu sob a influência do pecado, Mc. 6:21-26.
d.      Mandou matar o homem a quem respeitava, Mc. 6:26-27.
e.       Acabou zombando do Salvador, Lc. 23:6-12.
 
 
Exercícios
 
1.      Faça um esboço do sermão biográfico sobre Miriã, irmã de Moisés (note todas as passagens bíblicas referentes a ela, incluindo Êxodo 2:1-10).Dê título, assunto e divisões principais, e indique as referências relacionadas com cada divisão principal.
2.      Formule um esboço de Números 21:4-9, usando como divisões principais algumas das verdades sugeridas pela passagem. Dê o título e o assunto do texto.
 
 
 Questionário – Sermão Temático
 
1.      Por que o pregador deve saturar-se da Palavra de Deus?
2.      Qual é a característica de um pregador da Palavra de Deus?
3.      Qual é o fator mais importante no preparo de sermões?
4.      Explique o significado da proposição. (O que significa)
  1. O que significa a homilia? Por que é diferente do sermão?
  2. Explique de forma simples, o que é homilética e como funciona?
  3. Qual é o esquema da estrutura homilética?
  4. O que é a preleção exegética? Explique sobre exegése.
  5. Fale sobre o título e dois de seus ítens.
  6. Para que serve a introdução e as preliminares? Quais as características da introdução.
  7. O que são as divisões principais?
  8. Cite quatro características das divisões principais.
  9. Fale sobre a conclusão e suas características.
  10. O título, a introdução, as divisões e a conclusão fazem parte do que? Explique.
  11. O que é uma proclamação positiva de um assunto a ser proclamado?
  12. A proposição também é chamada de...?
  13. O que precisa para uma proposição ser completa?
  14. Como faz para descobrir o sujeito e o complemento da passagem bíblica? Explique.
  15. Complete:
A _____________________ deve preferencialmente _____________________ afirmativa .
De um exemplo além do exposto.
  1. O que é discussão e qual a sua fonte principal?
  2. Quando usamos outras fontes precisamos que seja?
  3. O que é ilustração e o que se usa para aplicá-la?
  4. O que é aplicação e qual a sua finalidade?
  5. O que é apelo?
  6. O apelo do Espírito Santo vem através...?
  7. Defina o sermão temático.
  8. Como devemos fazer a escolha de temas.
  9. As divisões principais devem ser de que forma? Por que.
  10. Analisando a esboço de satanás nosso arquinimigo: verificamos que a 2ª         divisão não poderia faltar. Explique com suas palavras.  
 
Questionário – Sermão Textual
 
 
1.      Qual é a diferença do Sermão Textual e Temático?
2.      De onde sai as divisões principais e subdivisões do sermão textual?
3.      Quem fornece o Tema?
4.      O que o pregador deve descobrir no texto? E a seguir o que deve fazer?
5.      Complete: o esboço textual deve gerar _________________ .
6.      Responda, qual a finalidade das divisões principais?
7.      Como faremos para discernir as divisões principais?
8.      No que transforma cada divisão?
9.      Como faremos para ter uma interpretação correta das Escrituras?
10. Se lermos apenas Col. 2:21 o que poderíamos entender? Leia o versículo 22, 23 e escreva: O que realmente o Apóstolo Paulo está dizendo? Ele fala sobre rigor ascético, o que isso quer dizer?
11. Por que em Pv. 14:11, quando fala dos perversos, Deus fala de casa e quando fala dos justos fala de tenda?
12. Podemos juntar textos de outras partes da Escritura como se fosse um único texto? Por quê?
13. Qual é a dificuldade do principiante na elaboração do sermão textual? Você vê isto como obstáculo ou desafio.
14. Elabore um sermão textual usando Esdras 7:10 – dando outro título, outro tema e outras divisões.

 

 
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